O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), admitiu publicamente a existência de resistências internas dentro do próprio partido à sua pré-candidatura para as eleições de 2026 e afirmou que a definição sobre seu futuro político deve passar pela direção nacional da legenda, em Brasília. As declarações indicam um cenário de tensão e rearranjo dentro do campo da direita no Acre.
Segundo o prefeito, parte do diretório estadual do PL apresenta restrições ao seu nome, mas a solução deve vir da instância federal. “Nós temos a nossa pré-candidatura já colocada, com alguma resistência por parte de segmento do PL a nível de Estado, mas precisamos verificar isso em Brasília”, afirmou.
A estratégia de levar a decisão para o comando nacional é comum em disputas internas, especialmente quando há divergência regional sobre composição de chapas e liderança de projetos majoritários.
O chefe do Executivo municipal também comentou sobre a conversa com o prefeito de Manaus, a quem chamou de amigo, que teria colocado apoio político à sua disposição. Embora não tenha detalhado formato ou partido envolvido, a sinalização mostra que há canais abertos fora do PL. Mesmo assim, ele reforçou que sua prioridade é permanecer na legenda.
"Não significa dizer que eu devo deixar o PL. É ao contrário. Vou fazer de tudo para não deixar o PL”, declarou.
Ao defender sua permanência, o prefeito citou a própria trajetória partidária, lembrando vínculos históricos com siglas identificadas com a direita, como Arena e PDS, além da passagem pelo PSDB em período de oposição direta ao PT. O argumento busca reforçar coerência ideológica e alinhamento com o campo conservador.
Bocalom defendeu que partidos precisam lançar candidaturas próprias nos estados como forma de fortalecimento político. Ele afirmou que tem tratado do tema com lideranças nacionais e mencionou entendimento de que o PL deve ter palanque próprio nas unidades da federação.
Para sustentar a tese, relembrou o crescimento do PSDB no Acre após insistir em candidaturas locais, mesmo sem estrutura inicial. Na prática, a defesa de palanque próprio reforça sua posição de que o partido deve manter sua pré-candidatura, apesar das divisões internas.
O prefeito também indicou que lideranças locais tendem a acompanhar a decisão nacional do partido. Segundo ele, caso Brasília confirme seu nome, a tendência é de alinhamento interno. A fala é interpretada como recado político para reduzir სივრცo de dissidência regional.
Bocalom ainda relativizou o peso das siglas nas eleições brasileiras. “No Brasil não se vota em partido, vota-se na pessoa”, disse, ao destacar que o desempenho eleitoral está mais ligado ao nome do candidato do que à estrutura partidária.
Ao tratar de propostas e legado, o prefeito associou sua atuação a políticas de incentivo à produção e geração de emprego, afirmando que pautas defendidas por ele há décadas, como o estímulo à cultura do café, hoje também são adotadas por setores da esquerda.
