Um vídeo encaminhado à redação do Notícias da Hora escancarou mais uma vez a realidade enfrentada por motoristas que dependem da BR-364, rodovia federal que liga a região do Juruá à capital Rio Branco. As imagens mostram o desespero de caminhoneiros diante das condições críticas da estrada e a revolta com o que classificam como falta de atenção das autoridades públicas.
Na gravação, feita por um caminhoneiro durante o trajeto, o motorista mostra um veículo pesado parado após sofrer danos provocados pelos buracos ao longo da rodovia. Segundo ele, o caminhão pertence a um colega que anteriormente havia prestado ajuda quando seu próprio veículo ficou atolado em outro trecho da estrada.
“Esse rapaz aqui foi um dos que me ajudou no dia que eu estava no prego, dentro de um buraco. Agora olha a situação do caminhão dele. Olha o que aconteceu”, relata o motorista enquanto mostra os prejuízos causados pelas más condições da BR-364.
Durante o vídeo, o caminhoneiro faz duras críticas aos representantes políticos e responsabiliza diretamente parlamentares pela situação da rodovia. Em tom de indignação, ele afirma que os usuários da estrada se sentem abandonados e sem resposta do poder público.
O motorista também lançou um desafio público a deputados federais e senadores, convidando-os a percorrer o mesmo trajeto enfrentado diariamente pelos profissionais do transporte de cargas.
“Eu desafio qualquer parlamentar a vir fazer essa viagem de caminhão com a gente, sofrer e passar o que a gente passa aqui”, declarou.
Ainda segundo o caminhoneiro, a preocupação da categoria aumenta com a proximidade do período eleitoral. Ele afirma que, tradicionalmente, políticos visitam a rodovia apenas em anos de eleição, quando realizam inspeções e promessas de recuperação que, segundo os motoristas, não se concretizam de forma definitiva.
A BR-364 é considerada a principal estrada logística do Acre, sendo responsável pelo abastecimento de alimentos, combustíveis, medicamentos e insumos essenciais entre o Vale do Juruá e o restante do estado. Problemas estruturais recorrentes, especialmente durante o inverno amazônico, têm provocado acidentes, prejuízos financeiros e longos atrasos no transporte.
