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POLÍTICA

Venezuelano repudia protestos e diz que manifestação “não representa o sofrimento real do povo da Venezuela”

Venezuelano repudia protestos e diz que manifestação “não representa o sofrimento real do povo da Venezuela”

Um venezuelano que vive há oito anos no Acre se manifestou publicamente contra protestos realizados por pessoas que, segundo ele, não representam o verdadeiro sofrimento do povo da Venezuela. Em um discurso firme e emocionado, Juan Bolívar— natural da Venezuela— criticou o que classificou como “uso político” da crise venezuelana por pessoas que jamais viveram a realidade do país.

“Isso aqui é uma vergonha. Nenhum deles é venezuelano. Nenhum deles passou o que a gente passou”, afirmou Juan, ressaltando que está no Brasil não por opção, mas por necessidade. Segundo ele, ninguém abandona o próprio país por vontade própria. “Você acha que um país quer o seu povo fora? Ninguém quer sair do seu país”, desabafou.

Juan relatou que viveu na própria pele a escassez de alimentos, a fome e a falta de liberdade. Para ele, a motivação de muitos protestos não tem relação com o sofrimento humano, mas sim com interesses econômicos. “Tem gente preocupada com petróleo. A gente está preocupado é com liberdade”, declarou.

Ao ser questionado sobre a situação política da Venezuela, Juan foi direto ao afirmar que o país vive sob um regime autoritário. “Nosso país está governado por um ditador”, disse, em referência ao presidente Nicolás Maduro. Ele ainda acusou o governo de estar ligado ao narcotráfico, o que, segundo ele, torna impossível uma vida digna para a população. “Quem vai querer viver em um país governado por narcotraficantes?”, questionou.

Morando no estado do Acre há oito anos, Juan agradeceu ao acolhimento recebido no Brasil e destacou a solidariedade do povo brasileiro com os venezuelanos que buscaram refúgio. Apesar disso, reforçou que sua fala não é política, mas humana. “Eu sou venezuelano e não estou protestando aqui, porque eu sei o que é passar fome, o que é sofrer de verdade”, afirmou.

Para ele, manifestações feitas por pessoas que não viveram essa realidade acabam desrespeitando quem ainda sofre no país. “Isso é vergonhoso para o povo venezuelano que está lá, passando necessidade”, concluiu.