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POLÍTICA

Sob suspeita, Ricco terá que detalhar arrecadação, custos e falta de FGTS a motoristas em audiência na Câmara de Rio Branco

Sob suspeita, Ricco terá que detalhar arrecadação, custos e falta de FGTS a motoristas em audiência na Câmara de Rio Branco

A crise no transporte coletivo de Rio Branco ganha novo capítulo nesta sexta-feira, 6, com a convocação da Ricco Transportes para uma audiência pública na Câmara, após a renovação do contrato que garante à empresa mais seis meses de operação na Capital.

A sessão extraordinária foi mantida mesmo depois de uma tentativa de recuo da própria empresa. Inicialmente, quando começaram as críticas à renovação contratual, a Rico enviou ofício ao Legislativo solicitando a audiência. Dias depois, com o aditivo já garantido pelo Executivo, protocolou novo documento pedindo o cancelamento do debate. O pedido não prosperou.

Para parlamentares da oposição, a mudança de postura levanta suspeitas. A avaliação é de que a empresa teria buscado o diálogo como instrumento de pressão política e, após assegurar a prorrogação do contrato, tentou evitar o desgaste público.

Representantes da empresa deverão responder a uma série de questionamentos que vão além da qualidade do serviço. Entre os principais pontos estão os atrasos frequentes nos itinerários, as condições da frota e, sobretudo, as denúncias de salários atrasados e ausência de depósitos do FGTS dos trabalhadores.

No fim do ano passado, a Câmara aprovou dispositivo que condiciona os repasses da Prefeitura à comprovação de quitação de salários e encargos trabalhistas. Mesmo assim, vereadores afirmam que há indícios de descumprimento da regra. A oposição quer ter acesso aos números: quanto a empresa arrecada, qual o custo real da operação e por que os pagamentos aos motoristas só estariam sendo regularizados após paralisações.

Outro foco de tensão envolve o ex-superintendente da RBTrans, Clendes Vilas Boas, exonerado no início de fevereiro. Ele também foi convidado a prestar esclarecimentos. Parte dos vereadores quer saber se a saída teve relação com divergências sobre a renovação contratual ou se houve outro motivo para a demissão.

Com a expectativa de participação de sindicatos e representantes da sociedade civil, a audiência promete casa cheia e clima acirrado. Em meio à troca de acusações e desconfianças políticas, quem segue aguardando respostas é a população, que enfrenta diariamente atrasos, superlotação e incertezas no transporte público de Rio Branco.