Motoristas de motocicleta por aplicativo realizaram um protesto tenso na manhã desta terça-feira, 17, em frente à Câmara de Rio Branco, contra o Projeto de Lei que regulamenta a atividade na Capital. Em meio a gritos, acusações e interrupções, a categoria afirmou não ter sido ouvida durante a elaboração da proposta e criticou duramente o vereador Leôncio Castro (PSDB), autor do PL.
A manifestação ganhou tom de confronto quando o parlamentar decidiu dialogar com os trabalhadores no local. Durante sua fala, Leôncio defendeu que sempre esteve aberto ao diálogo e negou ter ignorado a categoria.
“Todos que me conhecem sabem que o meu gabinete nunca teve porta, sempre esteve à disposição. Se vocês não concordavam com alguma cláusula, poderiam ter me procurado, mas nunca fui procurado. Esse foi o primeiro contato”, afirmou o vereador, sendo interrompido diversas vezes por manifestantes que reagiam com gritos de “mentira”.
O clima ficou ainda mais acirrado quando o parlamentar afirmou que o projeto foi construído com base em legislações federais e inspirado em modelos já adotados em outras cidades, como São Paulo. Segundo ele, a proposta “só traz benefícios” à categoria — declaração que foi novamente rebatida pelos trabalhadores presentes.
Do outro lado, o presidente da Unimaac, Paulo Farias, acusou o projeto de ser inconstitucional e prometeu mobilização contra a medida. “A gente é contra essa lei totalmente inconstitucional e vai lutar pelos nossos direitos. Existe uma ação no STF que impede estados e municípios de interferirem até que haja julgamento. Nossos direitos estão sendo violados”, declarou.
A categoria também anunciou novos protestos e não descarta intensificar a pressão sobre os vereadores. Uma comissão de representantes foi formada para tentar abrir diálogo com o Legislativo, mas o clima de desconfiança permanece.
O projeto de lei, aprovado por unanimidade na Câmara, estabelece uma série de exigências para os condutores, como CNH com atividade remunerada, idade mínima, antecedentes criminais e cursos específicos, além de regras para os veículos e plataformas digitais. A proposta agora aguarda sanção do Executivo municipal.
