A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) realizou, na tarde desta quinta-feira, 4, uma coletiva de imprensa para detalhar as medidas que serão adotadas após a governadora Mailza Assis decretar situação de emergência em saúde pública em razão do aumento dos casos de Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Estado.
A coletiva ocorreu na sede da Sesacre, em Rio Branco, e foi conduzida pela diretora de Atenção Primária e Vigilância em Saúde e Ambiente, Suane Oliveira de Souza. O secretário estadual de Saúde, José Bestene, não participou da entrevista porque estava reunido com a governadora e representantes do Ministério da Saúde para discutir ações emergenciais voltadas ao enfrentamento do surto respiratório.
Durante a apresentação, Suane explicou que o decreto foi motivado pelo crescimento expressivo dos casos registrados nas primeiras semanas epidemiológicas deste ano. Segundo ela, entre as semanas 1 e 21 de 2024 foram contabilizados 1.060 casos de SRAG no Acre. No mesmo período de 2025, o número subiu para 1.438 notificações.
“O aumento dos casos nos manteve em alerta devido à crescente ocupação de leitos de urgência e de internação, tanto para adultos quanto para crianças. O decreto é uma medida para que possamos dar uma resposta rápida a esse cenário”, afirmou.
A diretora destacou que a situação de emergência permitirá ao Estado agilizar a abertura de novos leitos hospitalares, a contratação de profissionais de saúde e a aquisição de medicamentos, equipamentos, materiais médico-hospitalares e demais insumos necessários para atender à demanda crescente.
Segundo ela, a medida também fortalece a articulação com o Ministério da Saúde para garantir suporte técnico e operacional ao Acre durante o período de maior circulação dos vírus respiratórios.

Além das ações na rede hospitalar, a Sesacre está ampliando as parcerias com os 22 municípios acreanos para fortalecer o atendimento na atenção primária. O objetivo é garantir que pacientes com sintomas gripais recebam assistência logo nos primeiros dias da doença, evitando a evolução para quadros graves que demandem internação hospitalar ou leitos de terapia intensiva.
“Queremos que esses pacientes sejam atendidos ainda no início dos sintomas, reduzindo o agravamento dos casos e a pressão sobre as unidades de urgência, emergência e UTIs pediátricas”, explicou.
Entre as medidas já adotadas pela Secretaria estão o uso precoce do antiviral Tamiflu nos casos indicados, a intensificação da vigilância epidemiológica, o cumprimento rigoroso dos protocolos clínicos e o monitoramento diário da ocupação dos leitos hospitalares.
A Sesacre também chamou atenção para a baixa procura pela vacinação, apontada como um dos fatores que contribuem para o aumento dos casos graves. Conforme Suane, a imunização continua sendo a principal ferramenta de prevenção contra as complicações causadas pelos vírus respiratórios.
“Quando a população deixa de se prevenir por meio da vacinação, há um aumento do adoecimento. Por isso é fundamental que todos procurem as vacinas disponibilizadas pelo Programa Nacional de Imunizações”, ressaltou.
A diretora lembrou ainda que a vacina contra a influenza está disponível em todas as unidades de saúde do estado e que gestantes têm acesso à vacina contra o vírus sincicial respiratório, que protege tanto a mãe quanto o bebê.
Questionada sobre a possibilidade de medidas mais restritivas, como a suspensão das aulas, Suane descartou a necessidade neste momento. Segundo ela, o cenário atual exige principalmente o reforço da vacinação e a busca precoce por atendimento médico.
“Não há necessidade de suspensão das aulas. O mais importante neste momento é que a população se vacine e procure uma unidade de saúde ao apresentar os primeiros sintomas".
