..::data e hora::.. 00:00:00
gif banner de site 2565x200px

POLÍTICA

“Se essa for a decisão dele, é compreensível, ele é o vice-prefeito”, avalia Mailza ao comentar apoio de Bestene a Bocalom

“Se essa for a decisão dele, é compreensível, ele é o vice-prefeito”, avalia Mailza ao comentar apoio de Bestene a Bocalom

A declaração da vice-governadora Mailza Assis sobre o apoio do vice-prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, à pré-candidatura de Tião Bocalom (PL) ao Governo do Acre explicita, com tom diplomático, uma fissura relevante dentro do campo governista e, especialmente, no Progressistas (PP). Ao mesmo tempo em que reconhece a autonomia do aliado, Mailza sinaliza desconforto político e delimita território na disputa por lealdade partidária e composição de palanque para 2026.

Bestene, que é filiado ao PP e ocupa cargo estratégico na gestão municipal, declarou apoio a Bocalom — movimento que contraria a pré-candidatura já colocada de Mailza ao governo estadual. Diante disso, ele avalia um possível afastamento da sigla para evitar sanções por infidelidade partidária.

Ao comentar o cenário, Mailza adotou postura de contenção, evitando confronto direto. “Se essa for a decisão dele, é compreensível, ele é o vice-prefeito, então é uma decisão dele e a gente caminha, segue o nosso caminho e a decisão dele será resolvida lá com o prefeito Bocalom”, afirmou.

Questionada se concorda com o eventual afastamento, reforçou o tom de respeito institucional, mas deixou clara sua preferência política. “Ele tem liberdade para isso. E na posição que ele está, é compreensível. Claro que eu gostaria que não, né? Eu gostaria que essa força e a permanência dele no partido fosse em apoio a mim. Mas se a decisão dele for essa, realmente não… Eu só posso concordar.”

A fala da vice-governadora cumpre dupla função. Publicamente, preserva a imagem de unidade e maturidade política, evitando ampliar ruídos na base aliada. Internamente, porém, funciona como recado claro ao partido e aos aliados: apoio tem peso, tem lado e tem consequência política.

Ao classificar a decisão como “compreensível”, Mailza reduz o potencial de conflito imediato. Mas, ao afirmar que gostaria de contar com o apoio de Bestene, demarca que a escolha não é neutra — é uma tomada de posição dentro de uma disputa majoritária.

O tamanho do gesto de Bestene

O movimento de Alysson Bestene não é trivial. Como vice-prefeito da capital e secretário municipal de Educação, ele carrega densidade administrativa e eleitoral. Seu apoio a Bocalom reforça o palanque do prefeito e ajuda a consolidar um eixo municipal-estadual alternativo dentro do mesmo espectro ideológico.

Além disso, o gesto tem efeito simbólico: mostra que a pré-candidatura de Bocalom ao governo não é apenas individual, mas começa a atrair quadros com mandato e estrutura — inclusive de partidos que, em tese, já têm candidatura própria.

O caso também pressiona o PP a definir o grau de rigidez que adotará com filiados de peso que optem por outros projetos. Uma eventual saída negociada de Bestene reduziria desgaste, mas evidenciaria perda de coesão. Já uma punição poderia aprofundar divisões e gerar efeitos colaterais na base.

Mailza, por sua vez, tenta manter o discurso de serenidade e continuidade — “a gente segue o nosso caminho” — posicionando-se como candidata que não dependerá de um único apoio, embora reconheça seu valor.