Em um relato forte, sensível e necessário, a mãe atípica (mulher que vivencia a maternidade com um filho que possui alguma condição de neurodiversidade ou deficiência (como autismo, TDAH, síndromes raras) Evelim Santos utilizou as redes sociais para fazer um desabafo que ecoou a realidade de milhares de famílias em todo o país.
Moradora de Rio Branco, Evelim é mãe de três crianças — um menino e duas meninas — e decidiu transformar a própria dor em um pedido público por respeito, empatia e políticas públicas mais efetivas para crianças atípicas e suas famílias.
No vídeo, Evelim questiona a romantização da maternidade atípica e rejeita o rótulo frequentemente atribuído às mães de crianças com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento. “As pessoas precisam parar de nos chamar de guerreiras ou fortes. Nós não somos guerreiras, nós somos sobrecarregadas”, afirmou.
Segundo ela, a rotina é marcada por vigilância constante, exaustão física e emocional e pela luta diária para garantir direitos básicos aos filhos. Evelim denuncia a precariedade do sistema de saúde, especialmente as longas filas de espera para terapias essenciais. “São dois, três, quatro anos de espera para o teu filho ter acesso ao mínimo”, relatou, classificando a situação como humilhante para as famílias.
O desabafo também expõe dificuldades enfrentadas no ambiente escolar. Evelim relata a perda de mediadores e a resistência de algumas instituições em garantir suporte adequado, mesmo quando se trata de um direito legal da criança. “Eles dizem que a criança é suporte 1 ou suporte 2 e que não precisa de mediador. Não é assim. É um direito básico dos nossos filhos”, destacou.
Outro ponto sensível abordado por Evelim é o preconceito social. Ela relata julgamentos constantes quando uma criança entra em crise, muitas vezes atribuídos à “falta de educação” ou “frescura”. “Não é. São consequências do autismo. O autismo nunca vem sozinho, ele vem acompanhado de outras condições”, explicou.
A mãe também falou sobre o isolamento social vivido por muitas mulheres na mesma condição. Amizades que se afastam, convites que deixam de existir e até o rompimento de relações familiares e conjugais fazem parte dessa realidade. “Eu me torno uma mãe invisível. A minha dor é invalidada, a minha exaustão é invalidada”, desabafou, ao relatar que muitas acabam se tornando mães solo por falta de apoio.
Evelim afirma que a maternidade atípica exige abrir mão de sonhos pessoais, do autocuidado e até de necessidades básicas. “Eu não sei o que é tomar um banho demorado, não sei o que é ter um tempo pra mim. Eu vivo 24 horas para cuidar dos meus filhos”, contou, emocionada.
Ao final do relato, Evelim faz um apelo direto à sociedade. Ela pede mais informação sobre o autismo, mais empatia e menos julgamentos. “Às vezes, nós mães só queremos um abraço, uma palavra de conforto. Mas recebemos críticas, olhares tortos, desprezo. Isso dói”, afirmou.
A mensagem se encerra com um chamado à responsabilidade coletiva: “Seja a pessoa que faz a diferença. Seja a pessoa que acolhe, que compreende, que respeita as limitações dos nossos filhos. Nós só precisamos ser vistas com amor, afeto e respeito”.
