Professores, funcionários de escolas públicas e estudantes realizaram, na manhã desta quarta-feira, 6, um ato em frente à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), em Rio Branco, para cobrar medidas urgentes de segurança no ambiente escolar. A mobilização ocorre um dia após o ataque a tiros registrado no Instituto São José, que resultou na morte de duas funcionárias e deixou uma estudante e outra servidora feridas.
Os manifestantes pediram ações concretas do poder público para prevenir novos episódios de violência. O caso, que chocou a sociedade acreana, reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade das escolas e a necessidade de políticas permanentes de proteção.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), Rosana Nascimento, destacou que o ato é um chamado urgente por providências. Segundo ela, a tragédia evidencia falhas históricas na prevenção à violência escolar.
“Foi um episódio que chocou não só o Acre, mas o Brasil. Um jovem assassinar pessoas do seu convívio diário e ainda tentar atingir outros colegas é algo que nos abalou profundamente. Estamos aqui para pedir que o Estado e os órgãos de segurança garantam proteção nas escolas, algo que já cobramos há muito tempo”, afirmou.
Rosana também criticou a falta de continuidade em políticas preventivas e ressaltou que ações poderiam ter sido implementadas antes da tragédia. Para ela, é necessário um esforço coletivo que envolva não apenas o poder público, mas também famílias e a sociedade.

“A gente sempre vê que medidas são tomadas no momento da crise, mas depois são esquecidas. É preciso dar continuidade às políticas de segurança. Defendemos a criação de um comitê amplo, com participação de órgãos de segurança, Ministério Público, Defensoria, Tribunal de Justiça, escolas, pais e estudantes, para construir ações preventivas eficazes”, explicou.
A sindicalista ainda chamou atenção para a sobrecarga enfrentada pelos profissionais da educação, que, segundo ela, vêm assumindo funções além do ensino. “O professor deixou de ser apenas educador. Hoje é psicólogo, assistente social, mediador de conflitos, e isso não pode continuar. Precisamos de condições de trabalho, segurança e apoio emocional”, disse.

Durante a manifestação, também foi anunciada a realização de uma caminhada de luto, marcada para esta quinta-feira, às 18h, com concentração em frente à Aleac. O grupo seguirá até o Instituto São José, onde serão feitas homenagens às vítimas com velas e faixas pretas.
“O impacto dessa tragédia é coletivo. Não atingiu apenas as famílias das vítimas, mas toda a sociedade acreana. Precisamos nos unir para que episódios como esse não voltem a acontecer”, concluiu Rosana.
