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POLÍTICA

Pré-candidato Thor Dantas critica terceirizações na Saúde do Acre: "Gastamos 'rios' de dinheiro e o resultado não vem"

Pré-candidato Thor Dantas critica terceirizações na Saúde do Acre: "Gastamos 'rios' de dinheiro e o resultado não vem"

Durante a entrevista ao podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares, o médico Thor Dantas afirmou que a estrutura da Fundação Hospitalar do Acre está saturada, criticou o modelo de terceirização adotado pelo governo e defendeu investimentos em expansão hospitalar, atenção básica e valorização profissional.

Segundo Thor, a rede estadual não acompanhou o crescimento da demanda ao longo dos anos e hoje já não consegue atender adequadamente a população.

“Aquela fundação hospitalar não dá mais conta. Ela é do mesmo tamanho de quando foi criada lá atrás pelo Flaviano. Quase não mudou nada”, afirmou.

O médico destacou que, apesar da compra de novos equipamentos, os pacientes continuam enfrentando dificuldades para concluir tratamentos e acessar especialistas.

“Não adianta dizer que comprou um tomógrafo novo ou uma ressonância nova. O cidadão faz o exame, mas não consegue um especialista para mostrar o resultado. Faz uma tomografia e não consegue fazer um exame de sangue”, criticou.

Thor Dantas afirmou que o Acre enfrenta um déficit grave de leitos hospitalares e defendeu a ampliação urgente da Fundação Hospitalar.

“O número de leitos no Acre precisaria ser dobrado para a nossa população. Não tem leito de UTI, não tem leito de enfermaria e não tem médico especialista suficiente para atender as pessoas”, declarou.

Ele também revelou que havia um projeto para transformar a unidade em um hospital universitário em parceria com o governo federal, mas a proposta não avançou.

“O governo federal insistiu durante três anos para fazer um hospital universitário de ponta. O Estado decidiu que não queria. Então, vamos ter que construir um novo hospital universitário no Acre em parceria com o governo federal”, disse.

Outro ponto abordado por Thor foi a situação dos municípios do interior. Segundo ele, as prefeituras não conseguem manter sozinhas a atenção básica e precisam de apoio do governo estadual.

“O Estado precisa ajudar os municípios a fazer medicina básica, cuidar do diabetes, da pressão, do pré-natal. Sem isso, não existe saúde”, ressaltou.

O médico também criticou o modelo de terceirização na saúde pública, especialmente no atendimento hospitalar e cirúrgico.

“Eu posso terceirizar uma tomografia, uma ressonância, mas não posso terceirizar o cirurgião que vai abrir a tua barriga e amanhã vai embora. O que está acontecendo no Acre é isso. Estão terceirizando o cuidado individual”, afirmou.

Thor declarou ainda que o excesso de terceirizações não trouxe melhorias no atendimento da população.

“Gastamos rios de dinheiro com terceirização e o resultado não vem. A crise no pronto-socorro nunca se resolve”, pontuou.

Ao apresentar propostas para a área, ele defendeu um plano de valorização profissional e fortalecimento da formação médica no estado.

“Hoje o Acre forma cerca de 50 especialistas por ano nas residências médicas, mas não contrata ninguém. Eles terminam a formação e vão embora porque não existe um plano de contratação”, explicou.

Thor também citou a necessidade de ampliar programas voltados à saúde mental, incluindo residências multiprofissionais com psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.

“Qualificação profissional é o único caminho para dar retorno às pessoas. Não existe transformação na saúde, na educação ou na segurança sem profissionais valorizados”, concluiu.