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POLÍTICA

MPF apura possíveis omissões da União no enfrentamento de emergências climáticas no Acre

MPF apura possíveis omissões da União no enfrentamento de emergências climáticas no Acre

Em 2025, houve decretação de situação de emergência devido a uma severa seca e, depois, inundações atípicas atingiram mais de 20 mil pessoas no estado

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento para apurar eventuais omissões da União na formulação, coordenação e execução de políticas públicas voltadas à prevenção, mitigação e resposta a desastres climáticos no Acre. A apuração tem como foco os impactos dessas situações sobre direitos fundamentais, especialmente de grupos em condição de vulnerabilidade.

A iniciativa foi do procurador da República Lucas Costa Almeida Dias, que é procurador regional dos Direitos do Cidadão no Acre, diante das consequências do agravamento de eventos climáticos extremos na região e em todo o país, como secas severas, inundações, deslizamentos, ondas de calor e tempestades intensas. O procurador aponta que os efeitos desses eventos vêm atingindo de forma desproporcional populações vulneráveis, entre elas pessoas em situação de rua, pessoas com deficiência, idosos, população LGBTI+, povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.

Em despacho, o MPF destaca a decretação de situação de emergência em razão de seca severa ao longo de 2025 e a ocorrência de inundação atípica em dezembro do mesmo ano, a maior registrada nos últimos 50 anos. O documento ainda aponta que, segundo dados da defesa civil, a cheia do Rio Acre e as enxurradas atingiram mais de 20 mil pessoas na capital e em outros municípios do estado.

O MPF ressalta que a recorrência e a previsibilidade de desastres climáticos exigem atuação estatal estruturada, coordenada e contínua. A eventual insuficiência de políticas públicas pode comprometer direitos como vida, saúde, moradia, alimentação, água, educação e liberdade de circulação.

No despacho de instauração do procedimento, o MPF cita entendimentos recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhecem a existência de quadro estrutural de violação ao direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Elenca também posicionamentos da Corte Interamericana de Direitos Humanos e da Corte Internacional de Justiça sobre as obrigações estatais diante da emergência climática.

O objetivo da apuração é reunir informações e analisar, sob perspectiva estrutural, possíveis lacunas normativas, falhas de coordenação e insuficiências na atuação federal. Conforme o andamento das apurações, poderão ser adotadas medidas administrativas ou judiciais cabíveis.