O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, defendeu publicamente a recomposição salarial e a retomada de benefícios para magistrados, argumentando que a valorização econômica da carreira é indispensável para manter a independência do Poder Judiciário. As declarações foram feitas durante evento institucional e reacenderam o debate sobre os ganhos da categoria — que já recebe, em média, R$ 40 mil mensais, sem contar indenizações e benefícios previstos em lei.
“Não podemos ter vergonha de defender uma remuneração digna, transparente, mas digna”, afirmou o ministro. Moraes destacou que muitos juízes, mesmo com salários elevados, têm migrado para cargos técnicos no Congresso Nacional, onde podem acumular vencimentos e ainda exercer advocacia. Para ele, esse movimento revela que o atual modelo de remuneração não tem sido capaz de manter profissionais experientes dentro da magistratura.
Entre as bandeiras defendidas por Moraes está a retomada do adicional por tempo de serviço, extinto nos últimos anos. O ministro classificou o fim do benefício como um “erro” que desvaloriza quem dedica décadas à função.
“Não é possível que alguém que ingressou ontem receba o mesmo que quem está há quarenta anos na magistratura. E pior: que, ao se aposentar, perca benefícios e tenha um decréscimo gigantesco nos vencimentos”, criticou.
Mesmo diante da remuneração média elevada, Moraes insistiu que a recomposição não seria um privilégio, mas um instrumento de estabilidade democrática. “Isso não é corporativismo. Isso é segurança institucional. É garantir que os melhores entrem e permaneçam.”
O ministro também dedicou parte de seu discurso à crescente tentativa de deslegitimar a atuação do Judiciário. Segundo ele, grupos econômicos, políticos e organizações internacionais têm financiado campanhas de desinformação que, ao longo de mais de uma década, visam desgastar a imagem dos tribunais.
“Se formos às redes sociais, é inegável a tentativa de deslegitimar o Poder Judiciário. Não só a Justiça Eleitoral, mas todo o sistema”, afirmou.
Moraes argumentou que o Brasil possui um dos modelos de magistratura mais fortes e independentes do mundo — situação que, para ele, alimenta ataques de grupos que “defendem igualdade e liberdade apenas para si mesmos”.
O ministro também ironizou o crescimento de influenciadores que se intitulam especialistas jurídicos sem conhecimento técnico adequado. “Qualquer influencer virou analista judiciário, sem saber sequer a composição de um tribunal”, afirmou.
Moraes elogiou ainda o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), criado em 2004, afirmando que o órgão foi decisivo para unificar a atuação dos diversos ramos da Justiça e fortalecer o poder de forma inédita nas últimas duas décadas.
Na parte final do discurso, o ministro alertou para o risco de que o Judiciário se veja como responsável por solucionar todas as questões nacionais — postura que, segundo ele, já desgastou Legislativo e Executivo após a redemocratização.
“O Judiciário presta um serviço essencial: a distribuição de Justiça. Mas é, ainda assim, uma prestação de serviço à sociedade. Precisamos de prioridades e resultados claros”, afirmou.
