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POLÍTICA

Ministro do STF, Dias Toffoli se defende após deixar relatoria do caso do banco Master

Ministro do STF, Dias Toffoli se defende após deixar relatoria do caso do banco Master

Em um movimento para estancar a crise institucional e garantir a continuidade das investigações sobre o Banco Master, o Supremo Tribunal Federal ( STF) decidiu manter a validade de todos os atos e decisões tomados pelo ministro Dias Toffoli enquanto esteve à frente da relatoria. O ministro rompeu o silêncio através de nota oficial, rebatendo ponto a ponto as suspeitas de proximidade com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

A medida é vista nos bastidores como uma "blindagem jurídica", impedindo que a saída do magistrado provoque a nulidade de provas cruciais colhidas até agora.

A decisão do STF ocorre após a Polícia Federal ( PF) apresentar um pedido formal de suspeição contra Toffoli, na última quarta (11), baseando-se em mensagens interceptadas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Sob iniciativa própria, o ministro anunciou saída da relatoria "interesses institucionais", um dia após o pedido da PF. A corte rejeitou tecnicamente a suspeição e garantiu para que o processo siga nas mãos do novo relator, o ministro André Mendonça, sem precisar retroceder etapas.

Juridicamente, se a suspeição fosse reconhecida, haveria o risco de anulação de todas as decisões de Toffoli, incluindo quebras de sigilo e apreensões. O STF fundamentou a manutenção dos atos alegando que a PF não possui legitimidade legal para pedir a suspeição de um magistrado (prerrogativa das partes do processo) e reforçou que o ministro atendeu a todas as diligências solicitadas pelos órgãos de controle durante sua gestão.

"Ilações e interpretações equivocadas"

A defesa do magistrado sustenta três pilares centrais:

  • Sociedade Familiar: O ministro confirmou ser sócio da empresa Maridt, que geria o resort Tayayá no Paraná, mas ressaltou que a administração é estritamente familiar e que sua participação sempre foi declarada.
  • Negativa de Pagamentos: Negou de forma enfática ter recebido qualquer valor, direto ou indireto, de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel, classificando as menções em mensagens como interpretações distorcidas da PF.
  • Rito Processual: o magistrado afirma que todas as suas decisões foram pautadas estritamente na lei e que jamais dificultou o trabalho da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da própria PF.

O "X" da Questão: O Resort Tayayá

O relatório da PF que desencadeou a crise aponta que fundos ligados ao Banco Master teriam investido cerca de R$ 20 milhões no resort que pertencia à família do ministro. Para os investigadores, as mensagens de Vorcaro sugerem uma tentativa de "aproximação privilegiada".

O STF, contudo, emitiu uma nota de apoio institucional a Toffoli, declarando a "inexistência de suspeição ou impedimento" e elogiando a dignidade do magistrado ao deixar o caso para preservar a Corte.

Próximos Passos

Com a redistribuição, o caso Master — que envolve uma suposta fraude bilionária — entra em uma nova fase sob a batuta de André Mendonça. O foco agora se volta para a perícia completa dos dispositivos eletrônicos apreendidos, que Toffoli havia determinado anteriormente que fossem lacrados e enviados ao STF, decisão que agora será reavaliada pelo novo relator.