Ao ser repreendido por Otto Alencar sobre participação de Caetano em guerrilha, Bittar diz que foi à União Soviética “aprender o que não presta”
Durante a sabatina do advogado Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o senador Marcio Bittar (PL/AC) cometeu um erro ao afirmar hoje (29/4) que o cantor Caetano Velloso pegou em armas durante a Ditadura Militar. A fala de Bittar foi rebatida, de imediato, pelo senador Otto Alencar (PSD/BA).
Bittar defendia a anistia dos condenados pelos atos do dia 8 de janeiro de 2023, por tentativa de golpe de Estado.
“Essas mesmas pessoas são aquelas beneficiadas em 1979 por uma anistia. Eu não entendo como o coração dessas pessoas pode ser tão mau, tão perverso. E eles, sim, trabalharam para fazer um golpe de Estado. Eu já disse e vou repetir: Fernando Gabeira, até o Caetano Veloso, no momento de lucidez, admitiu isso. Os dois disseram isso: ‘nós não lutávamos pela democracia. Nós lutávamos pela implantação da ditadura do proletariado. E, em nome disso, pegaram em armas. Foram para a guerrilha urbana e rural. Mataram pessoas. Fizeram justiciamento e todas foram perdoadas e anistiadas em 79. Mas, algumas pessoas que depredaram, essas têm que pegar pena que nem estuprador pega”, disse Bittar.
Otto Alencar corrigiu: “apenas peço que Vossa Excelência retire da sua fala. Caetano nunca pegou em armas, só pegou a vida inteira em violão", disse o senador baiano.
Ainda em seu pronunciamento, Bittar afirmou que não votará à favor de Jorge Messias por entender que ele participou da construção da narrativa que condenou centenas de pessoas pelos atos do dia 8.
“Aquilo que é mais caro para mim é dormir com a minha consciência em paz. Eu não gosto de contrariar amigos tão importantes da minha vida. Mas, eu não posso contrariar em primeiro lugar a minha consciência. Vossa senhoria faz parte de uma narrativa que criminalizou o dia 8 e colocou na cadeia um monte de homens e mulheres inocentes. Como eu posso votar com alguém que entende que no dia 8 houve uma tentativa de golpe armado no Brasil? Amanhã vamos votar a diminuição de pena. Eu acho uma coisa incrível. Eu fui do PCB quando era jovem. Morei na União Soviética. Fui apreender o que não prestava. Aprendi o que não prestava, agora, eu sei”.
