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POLÍTICA

Iverson Bueno, promotor do MPAC, diz que maioria dos casos de bullying e cyberbullying não chega ao conhecimento das autoridades

Iverson Bueno, promotor do MPAC, diz que maioria dos casos de bullying e cyberbullying não chega ao conhecimento das autoridades

Promotor faz alerta: ‘temos que levar a sério esse problema de saúde mental’

Em coletiva de imprensa realizada hoje (7) pelo Ministério Público do Acre, o promotor Iverson Bueno, da 3ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente, disse que o bullying e o cyberbullying estão ‘infestados’ nas escolas do Acre.

“Colocar esse debate que bullying e cyberbullying, ele é grave, ele existe, é real, e está infestado em todas as escolas do Acre. Temos que levar a sério esse problema de saúde mental”, disse o promotor.

Bueno afirmou ainda que, mesmo diante dos vários registros de casos de adolescentes e jovens com ideação suicidas, causados por bullying ou cyberbullying, a comunicação desses não chega ao conhecimento das autoridades. Muitos deles, acabam esquecidos dentro das escolas. Ele defendeu que todo episódio envolvendo essas duas práticas, seja comunicado imediatamente ao MPAC.

“Eu percebi que algumas escolas não trazem as informações para as autoridades, nem para o Ministério Público, nem para o Conselho Tutelar, por várias razões. E aí temos que debater, doutor Maia, por que esses casos não chegam? Um simples caso de bullying e Cyberbullying tem que chegar. Não interessa se o aluno é filho de um político, de um grande empresário, de uma alguma autoridade, que às vezes não querem trazer essa informação porque, talvez, pode prejudicar a imagem da escola. É isso que nós temos que superar, passar para uma outra fase. Toda vez que uma criança levanta uma situação, toda que a professora que convive com aquele aluno diariamente, sabe que ele está diferente na sala de aula, ela já tem que trazer esse dado para a gente. Se tem algum problema mais grave envolvido, que traga de forma sigilosa. Se não quer se identificar, mas traga isso para nós. Chame o Ministério Público para as escolas”, ressaltou.

Logo no início da fala dele, Bueno revelou que a Promotoria tem recebido várias mensagens de casos de adolescentes com problemas psicológicos, gerados pelo cyberbullying, dentro das escolas de Rio Branco.

“Como eu disse, infelizmente, quando acontece uma tragédia que é aí que a gente vai começar a ver o cyberbullying de uma forma diferente. Como o doutor Alceste falou aqui, a investigação é sigilosa, mas tem recados aqui que chegou na Promotoria. Só dá um contexto aqui, fazer um paralelo, de incitação ao ódio dentro de redes sociais, dentro de escolas, eu falo de públicas e particulares aqui de Rio Branco. Adolescentes com ideação suicida de uma forma absurda. Por isso, falamos que o problema é de saúde mental, seja escolas públicas ou particulares. E aí você pergunta por que tem tanto adolescente de classe baixa, média e alta querendo se suicidar. O que está acontecendo com esses jovens? Esse é um ponto que se levanta o debate”, ressaltou.

A coletiva teve como objetivo falar acerca das medidas adotadas para o reinício do ano letivo, após a tragédia ocorrida no Instituto São José, na última terça-feira (5), e o andamento das investigações.