O fotojornalista Edison Caetano, que por muito tempo acompanhou o cotidiano do Acre, publicou uma foto esta semana que mostra o Palácio José Guiomard dos Santos, prédio que abriga a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), parcialmente destruído pelo fogo. O incêndio aconteceu em abril de 1992. A causa teria sido um superaquecimento no sistema de ar-condicionado, segundo o Corpo de Bombeiros.
Na época, o Acre vivia uma turbulência política. Os deputados estaduais, por exemplo, conduziam a CPI que investigava o processo licitatório para a construção do Canal da Maternidade. O caso envolvia a construtora Odebrecht, empresa que mais tarde ganhou notoriedade no país durante as investigações da Operação Lava-Jato.
Curiosamente, o governador Edmundo Pinto foi assassinado no mesmo ano, dias após o incêndio, em São Paulo. A morte de Edmundo foi elucidada pela Polícia Civil paulista que apontou para um crime de latrocínio. A tese nunca foi aceita pelos acreanos.
Porém, essa tese foi contestada pela CPI da Pistolagem, instalada pela Câmara dos Deputados anos depois. O relator, deputado Edmundo Galdino, disse na época que a Comissão foi até São Paulo e conversou com os assassinos de Edmundo.
“Dessa diligência e da análise que houve, neste caso, mais um crime de pistolagem, apesar do entendimento do Ministério Público e da Justiça paulista de que se tratou de latrocínio. Ora, a par das circunstâncias que envolveram o crime, parece evidente que quem mata para roubar não deixa de levar o relógio caríssimo que a vítima ostentava no pulso, nem “esquece” os milhares de dólares que estavam na gaveta”, diz o relatório, apontando para crime de pistolagem.
