..::data e hora::.. 00:00:00
gif banner de site 2565x200px

POLÍTICA

Impasse no PL expõe dilema de Márcio Bittar e pressiona candidatura de Bocalom ao governo do Acre em 2026

Impasse no PL expõe dilema de Márcio Bittar e pressiona candidatura de Bocalom ao governo do Acre em 2026

O senador Márcio Bittar (PL) vive um momento decisivo de sua trajetória política ao se ver diante de um impasse estratégico: priorizar a própria reeleição ao Senado ou aderir integralmente ao projeto do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, que articula uma candidatura ao governo do Acre, também pelo Partido Liberal. Nos bastidores, cresce a avaliação de que as duas estratégias são, na prática, concorrentes e excludentes.

Aliados próximos ao senador apontam que Bittar tem demonstrado desconforto com a movimentação de Bocalom. Apesar de ser um dos principais apoiadores do prefeito, inclusive com a destinação de volumosas emendas parlamentares para a Capital, o senador avalia que a candidatura do gestor estadualiza os desgastes da administração municipal e amplia os riscos eleitorais para o PL como um todo.

Na leitura de Bittar, a permanência de Bocalom à frente da Prefeitura de Rio Branco seria mais conveniente. O prefeito enfrenta índices de desaprovação que, segundo análises internas, tendem a se refletir em alta rejeição eleitoral em uma disputa majoritária estadual. Uma eventual desistência da candidatura ao governo permitiria a Bocalom concentrar esforços na gestão, tentar reverter a imagem negativa e, ao mesmo tempo, evitar que o PL entre na eleição fragilizado.

A saída de cena do prefeito abriria, por outro lado, um leque de alternativas políticas para Márcio Bittar. Livre do compromisso de apoiar uma candidatura própria do partido ao governo, o senador poderia negociar alianças tanto com o senador Alan Rick (Republicanos) quanto com Mailza Assis, candidata do grupo governista, que deverá assumir o comando do Estado por cerca de oito meses antes do pleito.

No campo governista, a composição é vista como especialmente vantajosa para Bittar. A aliança permitiria uma dobradinha ao Senado com o ex-governador Gladson Camelí, apontado como favorito à primeira vaga. Nesse cenário, Bittar se beneficiaria da robusta estrutura administrativa, da máquina política estadual e de chapas proporcionais competitivas, além de se consolidar como único candidato do PL em uma disputa majoritária, evitando a pulverização de forças.

A alternativa de apoio a Alan Rick também está no radar do senador. Nesse caso, Bittar colocaria à disposição a estrutura partidária do PL e os recursos eleitorais, fortalecendo a campanha ao governo. O principal obstáculo seria a candidatura já lançada da ex-deputada Mara Rocha ao Senado pelo Republicanos, o que poderia gerar sobreposição de projetos. Ainda assim, aliados do senador avaliam que o entrave é negociável.

Com Bocalom mantido na disputa, o cenário se torna mais complexo. O PL tende a seguir isolado ou com coligações frágeis, limitando o alcance eleitoral da legenda. Além disso, Márcio Bittar seria pressionado a assumir publicamente o apoio ao prefeito, mesmo com reservas quanto à viabilidade do projeto, o que poderia comprometer sua própria estratégia de reeleição.

Para evitar um confronto direto com o prefeito, o senador sinaliza a intenção de levar a discussão à Executiva Nacional do PL, instância que teria a palavra final sobre a viabilidade e o aval à candidatura de Tião Bocalom ao governo. A movimentação permitiria a Bittar dividir a responsabilidade política da decisão e reduzir o desgaste interno.

Bocalom, por sua vez, demonstra firmeza. O prefeito está determinado a “pagar para ver” e não acredita que o partido possa barrar sua candidatura. Confiante em sua militância na direita e no capital político construído junto ao eleitorado bolsonarista, ele aposta na identidade ideológica e no apoio de Márcio Bittar para sustentar o projeto.

O embate silencioso dentro do PL transforma a sucessão estadual em uma verdadeira novela política, ainda sem desfecho definido. Entre cálculos eleitorais, disputas internas e interesses cruzados.