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POLÍTICA

Estudo liderado pelo CNJ aponta que terras indígenas do Acre são usadas como rotas para o narcotráfico peruano e indígenas estão ameaçados

Estudo liderado pelo CNJ aponta que terras indígenas do Acre são usadas como rotas para o narcotráfico peruano e indígenas estão ameaçados

Um estudo, publicado recentemente pelo Conselho Nacional de Justiça, Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)), Centro de Pesquisas Judiciais da AMB, Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), aponta que terras indígenas do Acre são usadas como rotas pelos narcotraficantes peruanos.

Foram entrevistados na pesquisa pessoas ligadas à Polícia Federal, ao Tribunal de Justiça do Acre, ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da sociedade civil. Em um dos relatos, presentes no estudo, é apontado o uso de terras indígenas pelo narcotráfico para acessar o território brasileiro, colocando em risco a vida dessas populações. O entrevistado menciona que os “narcomadeireiros” hoje são a principal ameaça.

“Essas rotas que são usadas pelos narcotraficantes, que são esses homens- mulas que transportam as drogas, eles usam os caminhos dos povos isolados na floresta. [...] Então, a gente sabe que o narcotráfico, aliado à exploração, à atividade ilegal da madeira, é a principal ameaça aos povos isolados e aos povos indígenas de forma geral, [...] porque a fronteira do Acre com o Peru é basicamente terras indígenas e unidade de conservação. Então, essas rotas, inevitavelmente, elas passam pelos territórios indígenas e pelas áreas de conservação ambiental”, disse um dos entrevistados pelos pesquisadores.

Os pesquisadores citam que “um entrevistado do Acre também mencionou que essa entrada das facções na região Norte do país relacionada aos crimes ambientais é algo novo. Ele comenta, ainda, que, atualmente, há cooptação de indígenas – muitas vezes utilizados como “mulas” – para permitir o tráfego em áreas estratégicas para o tráfico. Há mesmo, segundo o entrevistado, os chamados “narcomadeireiros”, que atuam no narcotráfico ligado à exploração das atividades ilegais de madeira na região de fronteira”.

Um dos entrevistados, integrando da Polícia Federal, revelou aos pesquisadores que não há registro de garimpo de ouro ou garimpo ilegal, o que difere o modus operandi das facções no Acre se comparado a outros estados da Amazônia Legal.

“Eu diria que no Estado do Acre... é um Estado que de certa forma tem uma temática um pouco diferenciada dos demais Estados da Amazônia, porque no Acre não há garimpo. Não há registro de garimpo. A Polícia Federal até o momento não encontrou nenhum registro de garimpo de ouro. Não estou falando que não tenha extração de minerais, e tem sim. A gente tem a extração de areia, extração de argila, algumas práticas ilegais. Porém, eu posso afirmar que a Polícia Federal até o momento nunca identificou áreas de atuação de garimpo no Estado”.