..::data e hora::.. 00:00:00
gif banner de site 2565x200px

POLÍTICA

Estamos sendo forçados a parar”, dizem motoristas após nova sequência de quebras na BR-364

Estamos sendo forçados a parar”, dizem motoristas após nova sequência de quebras na BR-364

A precariedade da BR-364, principal corredor logístico do Acre, voltou a ser denunciada por motoristas que dependem diariamente da rodovia para trabalhar. Na tarde desta quarta-feira (25), a equipe do Notícias da Hora encontrou dois caminhoneiros que seguiam viagem de Cruzeiro do Sul com destino a Rio Branco e que fizeram um relato considerado alarmante sobre as condições da estrada.

O encontro ocorreu nas proximidades da região conhecida como Manoel Urbano, onde os motoristas Jajá e Jeffers enfrentavam mais um episódio comum para quem trafega pelo trecho: caminhões danificados em decorrência dos buracos espalhados pela rodovia.

Segundo os profissionais, somente nesta quarta-feira, já haviam sido realizados cinco socorros mecânicos a veículos quebrados ao longo da BR-364.

“É o quinto socorro só hoje”, relatou um dos caminhoneiros durante a gravação feita pela reportagem.

Os motoristas afirmaram que saíram de Cruzeiro do Sul ao meio-dia do dia anterior, seguiram viagem durante toda a madrugada e retomaram o trajeto ainda nas primeiras horas da manhã. Mesmo após horas de deslocamento, ainda restavam cerca de 30 quilômetros para chegar a Manoel Urbano — percurso marcado por danos severos nos veículos.

De acordo com os relatos, dois caminhões apresentaram quebra de molas, problema diretamente associado ao impacto constante provocado pelos buracos na pista.

Os caminhoneiros afirmam que a situação da BR-364 não é recente e vem se agravando ao longo dos últimos anos. Para a categoria, o cenário atual tem tornado a atividade praticamente inviável.

“O frete já é baixo aqui no Acre. O pouco que a gente ganha está indo todo para manutenção”, desabafou o motorista.

Segundo eles, muitos profissionais só conseguem continuar trabalhando porque aprenderam, na prática, a realizar reparos mecânicos emergenciais durante a viagem.

Quando ocorre uma pane, o socorro entre colegas se torna essencial.

“Colega quebra, a gente ajuda. Arruma ferramenta, entra debaixo do caminhão, puxa no cambão até um ponto de socorro. Se depender só de oficina, o frete não paga nem a peça”, afirmaram.

Críticas ao DNIT e falta de fiscalização

Durante o relato, os caminhoneiros também direcionaram críticas à gestão da manutenção da rodovia, alegando ausência de fiscalização adequada nas obras executadas.

Segundo os profissionais, apesar do envio anual de recursos federais para conservação da estrada, os serviços realizados não apresentam durabilidade.

“O governo federal manda dinheiro todo ano, mas o serviço que fazem não aguenta. Falta fiscalização firme”, disseram.

Os motoristas ainda compararam a situação atual com anos anteriores, afirmando que, em 2020, a rodovia apresentava melhores condições devido à maior fiscalização técnica.

A BR-364 é considerada a principal ligação terrestre entre o Vale do Juruá e a capital acreana, sendo responsável pelo abastecimento de alimentos, combustíveis, medicamentos e insumos essenciais.

Para os caminhoneiros, entretanto, trafegar pela estrada hoje representa enfrentar riscos mecânicos, prejuízos financeiros e ameaça constante de interrupção das atividades.

“Ser caminhoneiro hoje na BR-364 é uma situação árdua. Estamos sendo praticamente forçados a parar”, concluíram.