A governadora do Acre, Mailza Cameli, esteve nesta semana em Cruzeiro do Sul acompanhada de autoridades do Alto Acre, em visita ao batalhão do Corpo de Bombeiros do município. Durante a agenda, foi apresentado um panorama atualizado da situação da cheia do Rio Juruá pelo major Josadac, comandante do 4º Batalhão.
Durante a visita, a governadora destacou a importância da união entre os entes públicos no enfrentamento da crise.
“É isso mesmo, é unir esforços para conseguir atender essas famílias atingidas. São eventos naturais que assolam o nosso estado, e a população sofre todos os anos com as enchentes. Esse trabalho unido — Estado, prefeitura, forças de segurança e todas as secretarias — é fundamental para que possamos tomar decisões que diminuam a dificuldade e o sofrimento das famílias”, afirmou.
Mailza também ressaltou que a atuação do governo começou ainda na fase de planejamento.
“Esse é o nosso propósito. Estamos nessa missão desde o planejamento, com toda a preparação da equipe, organização dos equipamentos e reforçando todos os dias o nosso compromisso com a população. Esperamos que tudo isso diminua o sofrimento, mas estamos preparados para acolher e cuidar das pessoas que estão desabrigadas”, declarou.
A governadora enfatizou ainda o esforço conjunto com a gestão municipal.
“Todos os secretários estão aqui com o intuito de organizar as ações e ajudar o prefeito Zequinha, já que uma boa parte dos bairros foi atingida. O Estado está presente, organizado e pronto, acima de tudo com boa vontade e com o coração voltado para servir as pessoas”, disse.
Mailza Cameli também destacou que outras regiões do estado enfrentam situações semelhantes e recebem apoio.
“Estamos atuando também em Marechal Thaumaturgo, auxiliando na segurança e nas buscas. Em Tarauacá, na comunidade Gregório, que sofreu alagação na semana passada, os mantimentos já estão chegando — cestas básicas, colchões, material de limpeza e água potável. O Estado se organizou para esse atendimento”, pontuou.
Ela reconheceu, no entanto, os desafios logísticos.
“Às vezes não conseguimos chegar no tempo ideal por conta das dificuldades de estrada, logística e pessoal, ainda mais porque vários municípios estão na mesma situação. Mas estamos organizados e contando com a parceria das prefeituras e instituições para diminuir essas dificuldades da nossa população”, concluiu.

Situação atual e monitoramento
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o enfrentamento ao desastre ocorre de forma integrada entre a Defesa Civil municipal e o Governo do Estado, por meio da sala de situação, que reúne equipes e dados em tempo real.
O nível do rio está atualmente em 14 metros e 19 centímetros, após subir 6 centímetros na noite anterior. A previsão é de estabilização ao longo do dia, com início de vazante a partir da noite, com base em dados meteorológicos e no comportamento do rio em regiões como Marechal Thaumaturgo.
Bairros atingidos e impacto
Até o momento, 12 bairros foram atingidos, entre eles Remanso, Cobal, Várzea, Centro, Lagoa, Manoel Terças, São Salvador e parte do Cruzeirinho, além de comunidades rurais como Florianópolis e região do Laguinho.
Mesmo áreas consideradas mais altas, como a Cohab, registram alagamentos em quintais devido ao transbordamento de áreas próximas ao Rio Juruá.
Famílias afetadas
Atualmente, 55 famílias estão em abrigos públicos, enquanto outras foram encaminhadas para casas de parentes. Há ainda uma estimativa de 624 famílias que deixaram suas residências por conta própria.
No total, mais de mil pessoas já foram impactadas. A operação conta com 112 profissionais atuando diretamente nas ações de resposta, com seis abrigos ativos e novas remoções sendo realizadas diariamente.
Apesar da previsão de chuvas entre 15 e 50 milímetros na bacia, a queda no nível das cabeceiras — superior a 4 metros na região de fronteira — reduz o risco de nova elevação significativa do rio nos próximos dias.
