Pequim anunciou a adoção de limites à importação de carne bovina como forma de proteger seus produtores internos, medida que terá validade de três anos e alcança fornecedores de todo o mundo. O novo sistema estabelece volumes máximos de compra por país, acompanhados de tarifas diferenciadas.
Ao Brasil foi destinado o maior teto de exportação: 1,106 milhão de toneladas no ano de 2026, com imposto de 12%. As vendas que ultrapassarem esse volume ficarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%, elevando a carga tributária total para até 67%, o que praticamente inviabiliza a operação.
O impacto é expressivo porque a China responde por quase metade das exportações brasileiras de carne bovina. Em 2025, o país asiático importou aproximadamente 1,7 milhão de toneladas do produto nacional, consolidando-se como o principal destino da proteína brasileira.
Diante do risco de retração no mercado, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) iniciou uma ofensiva diplomática e política para tentar reverter ou amenizar os efeitos da decisão.
Entidades do setor produtivo avaliam que a medida exige uma reorganização profunda da cadeia. Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destacam que as novas regras mudam o acesso ao mercado chinês e forçam ajustes na produção, na logística e nos fluxos de exportação.
A avaliação mais pessimista vem da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Para a entidade, a tarifa adicional de 55% torna inviável qualquer venda fora da cota estabelecida. A associação alerta que as perdas podem alcançar até US$ 3 bilhões em 2026, comprometendo um setor que projeta exportações acima de US$ 18 bilhões. Maior parceiro comercial do Brasil, a China absorve cerca de um terço de todas as exportações brasileiras.
