Em meio ao desgaste provocado pela última pesquisa de avaliação administrativa — na qual apareceu como o prefeito mais mal avaliado do Acre — o gestor de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, cumpriu agenda institucional em Rio Branco ao lado do prefeito da Capital, Tião Bocalom. O encontro, oficialmente voltado à troca de experiências na área da agricultura familiar, ocorre em um momento estratégico para o prefeito do Vale do Juruá, que tenta reposicionar sua imagem política.
Recebido com entusiasmo por Bocalom — que o chamou de “grande líder do Juruá” — Zequinha visitou o complexo agroindustrial da agricultura familiar instalado em Rio Branco. O espaço reúne maquinários destinados ao beneficiamento de arroz, feijão e milho e faz parte da aposta da gestão no fortalecimento do setor primário como motor da economia local.
Bocalom fez questão de apresentar o projeto ao colega por enxergar afinidade na pauta do agronegócio. Segundo ele, o Acre tem potencial produtivo semelhante ao de estados como Mato Grosso e Rondônia, defendendo que o investimento na terra é caminho para impulsionar o desenvolvimento econômico estadual.
Zequinha, por sua vez, elogiou a iniciativa e afirmou que pretende adotar modelo semelhante em Cruzeiro do Sul, especialmente voltado à cadeia produtiva do café — cultura que vem sendo incentivada no Vale do Juruá. O prefeito ressaltou que agregar valor à produção local significa gerar emprego, reduzir a dependência de produtos importados de outras regiões e manter a circulação de renda dentro do próprio município.
Para além do discurso técnico, a agenda carrega peso político. Em um cenário pré-eleitoral, alianças e aproximações estratégicas ganham relevância. Nos bastidores, cresce a leitura de que gestores com baixa avaliação popular tendem a se tornar ativos políticos menos atrativos. Tradicionalmente, pré-candidatos ao governo evitam vincular suas imagens a administrações mal avaliadas, o que amplia o desafio de Zequinha no tabuleiro político estadual.
A aproximação com Bocalom levanta questionamentos sobre possíveis alinhamentos futuros. Embora o encontro tenha sido apresentado como institucional, a sinalização pública de parceria pode indicar tentativa de fortalecimento regional e construção de pontes políticas. Resta saber se o gesto representará apoio mútuo em projetos eleitorais ou se ficará restrito à cooperação administrativa.
