A indignação tomou conta dos debates na Câmara Municipal de Rio Branco nesta terça-feira (2). O vereador André Kamai não mediu palavras ao subir à tribuna para alertar a população sobre o que classificou como uma "tentativa vergonhosa" de enterrar a maior conquista trabalhista da atual geração: o fim da escala 6x1. Mas, segundo o parlamentar, o que mais choca o povo acreano é ver que a caneta que tenta assinar esse retrocesso bizarro tem o DNA do próprio Acre, contando com o apoio escancarado dos senadores Márcio Bittar e Sérgio Petecão.
Para Kamai, a vitória recente na Câmara dos Deputados foi um marco histórico, o tipo de conquista que devolve a vida e a dignidade para quem carrega o país nas costas. Só que a alegria do trabalhador dura pouco quando a elite política se articula em favor dos mais ricos. "Lamentavelmente, o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro, apresentou um projeto paralelo que tenta mais uma vez barrar o avanço do fim da escala 6 por 1", denunciou. Para o vereador, não dá para passar pano: trata-se de um projeto escancaradamente contra o trabalhador e contra a mobilização popular.
O vereador explicou que a proposta de Marinho quer desconstruir, de ponta a ponta, as garantias históricas da CLT. O que a proposta chama de "liberdade de negociação" entre patrão e empregado foi duramente ironizada. "É a gente chegar e se aproximar quase que do feudalismo novamente", disparou Kamai. Afinal, para o vereador, como é que um trabalhador humilde vai negociar de igual para igual com o dono do capital? “Sem o Estado para equilibrar o jogo, quem tem o dinheiro manda e quem precisa comer aceita qualquer coisa. É um vale-tudo perigoso que tira o sono de qualquer pai de família”, concluiu.
Kamai fez questão ainda de dar nome aos bois, cobrando uma postura firme da população contra os representantes locais que viraram as costas para o trabalhador. "Dois senadores do Acre assinaram esse projeto, o senador Petecão e o senador Márcio Bittar", relembrou, indignado. Segundo especialistas, esse projeto paralelo bota em risco a segurança física e mental das pessoas, podendo fazê-las trabalhar ainda mais e sem amparo nenhum. Por isso, alertou o vereador, a ordem agora é não recuar. “A batalha não acabou e a pressão nas redes sociais e nas ruas contra o Senado precisa ser total para garantir, enfim, uma jornada muito mais digna e humana para o nosso povo” destacou.
