Na sessão desta quarta-feira (15), na Câmara Municipal de Rio Branco, o vereador André Kamai levou à tribuna um discurso marcado por tom histórico e sensível ao cotidiano dos trabalhadores. O parlamentar celebrou o envio, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de um projeto de lei ao Congresso Nacional, em regime de urgência, que propõe o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil.
Para Kamai, a medida vai além de uma simples reorganização do tempo de serviço. “Isso é a possibilidade de garantir dignidade, de garantir qualidade de vida aos trabalhadores e às trabalhadoras desse país”, afirmou. Em sua fala, ele resgatou marcos históricos para sustentar o argumento de que avanços sociais não impedem o desenvolvimento econômico. “A jornada já foi de 48 horas, foi reduzida para 44 na Constituição de 1988, e o Brasil não quebrou. Pelo contrário, cresceu”, destacou.
O vereador também rebateu críticas comuns ao projeto, especialmente a ideia de que o fim da escala 6x1 geraria desemprego. “Não é real. Acho que o fim da escala 6x1 vai gerar emprego, abrir mais possibilidades de trabalho e aumentar a produtividade”, pontuou, ao defender que o mercado tende a se adaptar às mudanças.
Um dos pontos mais enfáticos do discurso foi o olhar para a realidade das mulheres trabalhadoras. Kamai destacou que, mesmo fora do ambiente formal, muitas seguem submetidas a jornadas contínuas dentro de casa. “Uma mulher que trabalha numa escala 6x1 não tem um dia de descanso. O único dia que ela tem é para trabalhar em casa”, afirmou, relacionando o debate à estrutura social ainda marcada por desigualdades de gênero.
Além de defender a proposta, Kamai fez um chamado direto à sociedade acreana para que participe ativamente do debate. O parlamentar convocou a população a pressionar os deputados federais e senadores do Acre pela aprovação do projeto, destacando que a mobilização popular será decisiva para o avanço da matéria no Congresso Nacional. “É fundamental que a gente cobre nossos representantes para que aprovem esse projeto”, reforçou.
O parlamentar também ressaltou que a proposta prevê regras de transição para adaptação do setor produtivo e não impede que trabalhadores busquem outras fontes de renda, caso desejem. Ao contrário, segundo ele, amplia possibilidades ao garantir mais tempo livre.
Encerrando o pronunciamento, Kamai reforçou o sentido humano da proposta: “O trabalho precisa permitir tempo para os filhos, para estudar, para cuidar da saúde e da própria vida”. Para ele, a redução da jornada, sem diminuição salarial, representa um passo importante para um país mais justo, produtivo e equilibrado.
A proposta segue agora para debate no Congresso Nacional, onde deve mobilizar diferentes setores da sociedade. Em Rio Branco, no entanto, o tema já ecoa como um chamado à valorização de quem sustenta, com seu trabalho, o desenvolvimento do país.
