O Acre lidera o ranking nacional de feminicídios por 100 mil habitantes, segundo dados da pesquisa “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgada nesta quarta-feira, 4, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento revela que, proporcionalmente à população, o Estado apresenta a maior taxa do país, reforçando o cenário alarmante da violência letal contra mulheres na região.
Em 2024, o Brasil registrou 1.492 feminicídios — o equivalente a quatro assassinatos de mulheres por dia. Desse total, 746 casos ocorreram em municípios com até 100 mil habitantes, onde vivem 41% da população feminina brasileira.
O dado desmonta a percepção de que os crimes estão concentrados nas grandes metrópoles e evidencia o avanço da violência justamente em áreas com menor estrutura de proteção, realidade predominante em estados como o Acre.
De acordo com a diretora-executiva do FBSP, Samira Bueno, a maior incidência em cidades pequenas está ligada à ausência de infraestrutura especializada, como delegacias da mulher e casas-abrigo, além de barreiras geográficas e pressões sociais típicas de municípios menores.
Quanto menor a cidade, maior a desproporção
A pesquisa aponta que cidades com até 20 mil habitantes — que concentram 14,6% das brasileiras — responderam por 19,6% de todos os feminicídios em 2024. Já municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes, onde vivem 15,2% das mulheres, concentraram 19,7% dos assassinatos.
O padrão é claro: quanto menor o município, maior o peso proporcional da violência letal contra mulheres. Entre 2021 e 2024, o país somou 5.729 vítimas de feminicídio. Do total, 62,6% eram mulheres negras e 36,8%, brancas. Metade tinha entre 30 e 49 anos — sendo 28,3% entre 30 e 39 anos e 21,7% entre 40 e 49.
A maioria foi morta por alguém próximo: 59,4% pelos companheiros e 21,3% por ex-companheiros. Em 97,3% dos casos, os autores eram homens. As mortes ocorreram principalmente com arma branca (48,7%) e arma de fogo (25,2%).
