Um estudo publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) este ano mostra que o Acre “tem se consolidado como um estado estratégico para as rotas do narcotráfico”, em especial, a partir do rio Juruá. É por lá que parte da cocaína peruana e do skunk colombiano, um derivado da maconha, entra no Brasil.
A pesquisa revela ainda que três cidades do Acre estão na Rota da Criminalidade. São elas: Cruzeiro do Sul, Assis Brasil e Acrelândia. As três cidades estão situadas em regiões distintas (Vale do Juruá, Alto Acre e Baixo Acre), evidenciando as ramificações do crime no estado.
São mais de dois mil quilômetros de fronteira terrestre do Acre com a Bolívia (618 km) e o Peru (1.565 km). Isso dificulta o trabalho das forças de segurança, uma vez que essas regiões são cobertas pela floresta amazônica, de difícil acesso. Os rios são outro gargalo a serem enfrentados. Os narcotraficantes os utilizam para chegarem às cidades acreanas com o material entorpecente.
Outro agravante na fronteira peruana, de acordo com os pesquisadores, é a invasão de madeireiros e garimpeiros, que aliados ao tráfico tornam a região ainda mais perigosa.
“Na fronteira peruana, junto ao norte do Parque Nacional da Serra do Divisor (que abrange parte do município de Cruzeiro do Sul), situa-se a Reserva Territorial Isconahua. A região tem sido invadida por empresas madeireiras, traficantes de drogas e garimpeiros, gerando impactos ambientais relevantes, sobretudo em terras indígenas”, destacam.

