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POLÍCIA

“Não foi crime de homofobia e ódio”: defesa contesta narrativa do MP em assassinato de Moisés de Alencastro

“Não foi crime de homofobia e ódio”: defesa contesta narrativa do MP em assassinato de Moisés de Alencastro

O advogado de defesa de Antônio de Sousa Morais, réu confesso pela morte do colunista social e servidor do Ministério Público Moisés de Alencastro, participou do podcast Conversa Franca e apresentou uma série de esclarecimentos sobre o caso que segue em tramitação na Justiça acreana.

Durante a entrevista, o advogado reforçou que não há controvérsia quanto à autoria do crime, já que Antônio confessou os fatos tanto à autoridade policial quanto ao Judiciário, ainda na audiência de custódia. Segundo a defesa, a confissão foi espontânea e a decisão de se entregar partiu do próprio acusado, que demonstrou arrependimento desde o primeiro momento.

“O Antônio é réu confesso. Aqui não existe uma investigação para descobrir autoria. Ele se apresentou, confessou e assumiu a responsabilidade pelos fatos”, afirmou o advogado durante o podcast.

Questionado sobre as condições atuais do acusado, o defensor explicou que Antônio está custodiado na chamada “cela do seguro”, área destinada a presos que, por questões de repercussão social ou risco à integridade física, precisam permanecer isolados dos demais internos. A medida, segundo ele, tem caráter preventivo e visa garantir a segurança do custodiado dentro do sistema penitenciário.

Um dos principais pontos abordados pelo advogado foi a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Acre, que aponta a homofobia como possível motivação do crime. A defesa refuta essa tese e sustenta que ela não se sustenta diante dos próprios elementos do processo.

De acordo com o advogado, Antônio e Moisés mantinham um relacionamento afetivo há pelo menos dois anos, podendo, segundo relatos de familiares próximos, ultrapassar quatro anos. Esse vínculo, segundo a defesa, teria surgido justamente a partir da orientação sexual da vítima.

“Como imputar um crime de homofobia a alguém que se relacionava com a vítima há anos? Eles se aproximaram justamente pela opção sexual do Moisés. Não há lógica em afirmar que o crime foi movido por ódio ou preconceito”, argumentou.

Ainda conforme o advogado, o episódio que resultou na morte de Moisés foi um fato isolado, decorrente de uma discussão específica ocorrida dentro da residência da vítima, para onde o acusado teria ido a convite do próprio Moisés. A defesa sustenta que não houve premeditação nem deslocamento com a intenção de cometer o crime.

“Foi uma situação pontual, fruto de uma discussão. Não houve ódio, não houve homofobia. Eles não saíram de casa com o propósito de matar. Os acontecimentos se desenrolaram ali, naquele momento”, afirmou.