O Governo do Estado do Acre realizou uma coletiva de imprensa na Sala de Situação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), em Rio Branco, para esclarecer os desdobramentos do ataque a tiros ocorrido no Instituto São José na tarde desta terça-feira, 5. O episódio deixou duas funcionárias mortas e outras pessoas feridas.
Durante a coletiva, autoridades da Segurança Pública confirmaram que duas linhas de investigação foram abertas: uma voltada ao ato infracional cometido pelo adolescente autor dos disparos e outra para apurar a responsabilidade do padrasto, dono da arma utilizada no crime, por ausência de cautela na guarda do armamento.
O secretário de Segurança Pública, coronel José Américo Gaia, destacou que o caso é tratado como uma “fatalidade” inédita no estado e reforçou que todas as hipóteses estão sendo analisadas. “Não descartamos nenhuma informação. Tudo será apurado com responsabilidade”, afirmou.

O delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, informou que o celular do adolescente foi apreendido e passará por perícia, após autorização judicial, para verificar possível participação em grupos virtuais que incentivem ataques. “O aparelho será submetido à extração de dados para confirmar se há conexão com outros envolvidos ou se foi um fato isolado”, explicou.
A comandante da Polícia Militar, coronel Marta Renata, detalhou que a primeira equipe a chegar ao local encontrou a situação já consumada, atuando na evacuação da escola, isolamento da área e socorro às vítimas. Segundo ela, o adolescente não estava mais na unidade quando a guarnição chegou e se apresentou posteriormente no quartel do Comando-Geral.
As autoridades confirmaram que a arma utilizada foi uma pistola calibre .380, já apreendida. O número de disparos e a dinâmica exata do crime ainda dependem de laudos periciais e análise de imagens de câmeras de segurança.

Como medida imediata, o governo anunciou a suspensão das aulas por três dias em todas as escolas públicas e privadas do estado. O período será utilizado para reorganização das estratégias de segurança e implementação de protocolos de prevenção a situações de violência.
Além disso, será reforçada a presença policial nas escolas, com policiamento ostensivo e ações educativas. “Não é possível ter um policial em cada escola, mas estaremos mais presentes, atuando na prevenção e no apoio às comunidades escolares”, afirmou Gaia.
O secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo Silva, informou que equipes de psicólogos e assistentes sociais já estão sendo mobilizadas para atender alunos, professores e familiares das vítimas. O atendimento também será estendido às famílias atingidas diretamente pela tragédia.

O Ministério Público do Acre acompanha as investigações e informou que poderá atuar no apoio às apurações conduzidas pela Polícia Civil, além de oferecer suporte às vítimas. O promotor Antônio Alceste ressaltou que todas as linhas investigativas serão consideradas, mas evitou antecipar conclusões para não prejudicar o trabalho policial.
O adolescente autor do ataque permanece apreendido e deve ser apresentado à Justiça. Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ele pode cumprir medida socioeducativa de internação por até três anos.

As autoridades também alertaram para a disseminação de informações falsas nas redes sociais e pediram cautela à população. Pais e responsáveis foram orientados a acompanhar mais de perto o comportamento dos filhos, especialmente no ambiente digital.
A coletiva reuniu integrantes do comitê de crise, incluindo representantes das polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Instituto Socioeducativo (ISE) e demais órgãos envolvidos na resposta ao caso. O governo afirmou que novas informações serão divulgadas conforme o avanço das investigações.
