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“Tarde Sangrenta”: poesia transforma dor em memória e resistência após tragédia em escola de Rio Branco

“Tarde Sangrenta”: poesia transforma dor em memória e resistência após tragédia em escola de Rio Branco

Em meio ao luto que ainda paira sobre Rio Branco após o ataque a tiros registrado no Instituto São José, na última terça-feira, 5, a dor coletiva ganhou forma em palavras. O poema “Tarde Sangrenta”, assinado por Alessandro Borges, conhecido como “Poeta da Baixada”, surge como uma homenagem sensível às vítimas e um grito literário contra a violência que abalou a comunidade escolar.

Com versos marcados por imagens fortes e contrastes entre a calmaria e o caos, o poeta reconstrói, em linguagem simbólica, o cenário da tragédia. “Numa escola à beira do rio barrento, / O vento sussurrava calmaria. / Mas súbito, no claro do dia pleno, / Um grito rasgou o ar — e tudo ruía”, escreve, evocando o instante em que a rotina foi brutalmente interrompida.

A poesia resgata, sobretudo, a memória de Zena e Raquel, funcionárias da instituição que perderam a vida no ataque. Ao compará-las a “luzes eternas” e figuras de entrega, o autor atribui às vítimas um sentido de heroísmo e permanência. “Como Cristo, em entrega fraterna, / Deram suas vidas por outros, assim”, diz um dos trechos mais marcantes.

A obra também reflete sobre a brutalidade do episódio, descrevendo a violência como “fúria insana” e “arma na mão”, em versos que traduzem o impacto do ocorrido não apenas no espaço físico da escola, mas no imaginário coletivo da cidade.

Mais do que relatar a dor, o poema propõe permanência. Ao afirmar que as vítimas “renascem vivas na recordação” e se tornam “estrelas acesas no coração”, Borges transforma o luto em memória ativa, reafirmando a necessidade de resistência diante da violência.