A médica psiquiatra Carol Formiga participou do Podcast Conversa Franca na última quinta-feira, dia 14, onde abordou temas relacionados à saúde mental, transtornos psiquiátricos e os impactos emocionais causados pela tragédia ocorrida no Instituto São José.
Durante a entrevista, a especialista falou sobre a importância do acompanhamento psicológico e psiquiátrico, principalmente em momentos de trauma coletivo, destacando os sinais de alerta que familiares, escolas e a sociedade precisam observar diante de comportamentos que indiquem sofrimento emocional.
Um dos momentos que mais chamou atenção na entrevista ocorreu quando o apresentador relembrou detalhes do caso envolvendo o adolescente de 13 anos acusado de matar duas funcionárias da escola. Segundo o relato apresentado durante o podcast, o jovem teria furtado a arma do padrasto dentro de casa, ido até a escola com dois carregadores municiados e efetuado diversos disparos contra as vítimas.
Ao comentar a frieza atribuída ao adolescente por testemunhas e pelas informações divulgadas até o momento, Carol Formiga fez um alerta sobre a necessidade de cautela antes de rotular o jovem como psicopata.
“Só podemos diagnosticar transtorno de personalidade antissocial, o chamado psicopata, a partir dos 18 anos. Isso é um critério do diagnóstico, porque a personalidade do adolescente ainda está em formação”, explicou.
A psiquiatra também ponderou que o comportamento descrito pode não necessariamente indicar ausência total de emoção ou empatia, destacando que situações extremas podem levar uma pessoa a agir em estado dissociativo.
“Pode ser que ele estivesse em choque e começou a agir no automático. Existe o quadro dissociativo, quando a pessoa sai da realidade”, afirmou.
Carol ainda criticou análises precipitadas feitas por parte da opinião pública e até mesmo de especialistas que já classificaram o adolescente como psicopata sem uma avaliação aprofundada do caso.
“Eu acho muito precoce já falar em psicopatia sem entrevistar o adolescente, sem saber a história dele. Não é um único ato que vai definir um indivíduo”, disse.
Segundo ela, embora a falta de empatia seja um dos traços presentes na psicopatia, nem toda pessoa que comete um crime violento possui esse transtorno.
“Nem todo assassino é psicopata e nem todo psicopata é assassino. O adolescente ainda está em formação. Pode ser transtorno de conduta, sofrimento emocional ou várias outras questões”, explicou.
Durante a conversa, Carol também comentou sobre a tentativa de associar automaticamente casos extremos ao bullying. Para a especialista, essa explicação isolada é insuficiente.
“Não diminuindo o bullying, mas eu acho muito frágil fazer essa associação direta entre bullying e psicopatia. Geralmente existem históricos mais graves de sofrimento, abusos ou outros fatores envolvidos”, destacou.
