Vídeos que circulam nas redes sociais mostrando pessoas que nunca ouviram ou falaram passando a escutar pela primeira vez têm chamado a atenção do público e levantado muitas dúvidas. Em meio a esse conteúdo viral, uma pergunta se tornou frequente: trata-se de aparelho auditivo ou implante coclear?
O tema foi esclarecido durante o podcast Conversa Franca, quando especialistas explicaram as diferenças entre os dois recursos e reforçaram a importância do diagnóstico precoce da perda auditiva.
Segundo a explicação, o implante coclear não é um aparelho auditivo comum. Trata-se de um procedimento cirúrgico indicado apenas quando o uso do aparelho auditivo não é suficiente para garantir compreensão da fala. “Existem vários graus de perda auditiva: leve, moderada, moderada severa, severa e profunda. Em muitos casos, o aparelho auditivo resolve. Mas quando a pessoa apenas escuta ruídos e não consegue entender a fala, aí sim existe indicação para o implante coclear”, explicou a especialista.
O implante é indicado principalmente para pacientes com perda auditiva severa ou profunda, nos quais não há ganho funcional com o uso do aparelho auditivo convencional. Diferentemente do aparelho, o implante coclear estimula diretamente o nervo auditivo por meio de um sistema eletrônico implantado cirurgicamente.
Diagnóstico começa na audiometria
A identificação do tipo de perda auditiva acontece por meio de exames específicos, principalmente a audiometria. É nesse exame que o profissional consegue avaliar o grau da perda e indicar o tratamento adequado.
“Por isso a importância de fazer o exame e acompanhar. Quanto mais cedo a gente diagnostica, acompanha e trata, melhor é o prognóstico, ou seja, melhores são os resultados e a adaptação do paciente”, destacou.
No caso das crianças, o diagnóstico precoce é ainda mais essencial, pois interfere diretamente no desenvolvimento da fala, da linguagem e da socialização.
Implante coclear é garantido pelo SUS
O implante coclear é um procedimento garantido pelo Sistema Único de Saúde, mas o acesso nem sempre é rápido. A realização depende de critérios clínicos, avaliações multiprofissionais e da disponibilidade da rede pública especializada.
Apesar disso, especialistas alertam que o maior problema ainda é a procrastinação. Muitas pessoas adiam exames e tratamentos, o que pode comprometer significativamente os resultados.
“O quanto antes se diagnostica e se inicia o tratamento, maiores são as chances de sucesso. Deixar para depois pode significar perdas irreversíveis”, reforça a especialista.
O tema reforça a importância da informação correta, do acompanhamento profissional e do acesso aos serviços de saúde auditiva, especialmente diante do crescimento de conteúdos virais que nem sempre explicam o que realmente está por trás de histórias emocionantes compartilhadas nas redes sociais.
