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Entre livros, sonhos e saudades: 20 anos da nossa história

Entre livros, sonhos e saudades: 20 anos da nossa história

Vinte anos depois da formatura, a memória segue viva — e carregada de significado. Neste sábado (25), em Boca do Acre, a turma do curso de História formada em 10 de fevereiro de 2006 voltou a se reunir para celebrar uma conquista que nasceu da persistência, da união e da superação de barreiras que iam além da sala de aula.

O reencontro, marcado por um almoço de confraternização, foi também um momento de lembrança e reconhecimento. Entre abraços e relatos emocionados, os ex-alunos reviveram um período em que o acesso ao ensino superior no município era um desafio — especialmente por se tratar de uma cidade do Amazonas, distante cerca de 220 quilômetros de Rio Branco, no Acre.

As tentativas iniciais junto ao próprio estado do Amazonas não avançaram. Foi então que educadores e lideranças locais buscaram uma alternativa fora das divisas estaduais. A solução veio por meio da Universidade Federal do Acre, que, em parceria com a Prefeitura de Boca do Acre, na gestão do então prefeito JR do Vale, implantou o curso no município, consolidando uma iniciativa que marcou a história da educação local.

A construção desse projeto teve protagonistas importantes. O professor Raimundo Souza, então presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, liderou a mobilização que deu força à reivindicação. Ao seu lado, o professor Tião Primavera integrou comissões fundamentais na organização do curso.

A professora Rosângela Maia foi peça-chave na interlocução com a universidade, atuando como ponte entre Boca do Acre e a instituição. E foi com a chegada de docentes qualificados que o curso ganhou solidez, entre eles o professor Pedro Martinello, responsável por abrir a graduação e reconhecido por sua trajetória acadêmica e contribuição à formação histórica.

A turma iniciou com 47 alunos — entre professores da rede pública e comunitários que enxergaram na oportunidade a chance de transformação — e concluiu com 44 formados, número que representa não apenas a permanência, mas a resistência diante das dificuldades enfrentadas ao longo do percurso.

Durante o reencontro, também houve espaço para a saudade. Foram lembrados, com respeito e emoção, colegas que já partiram, mas permanecem presentes na memória da turma: Francisco Avilar, o “Chico Bode”; Francisco Canafiste, conhecido como “Dibem”; e Rute Castro, a “Rute do Serrão”. Nomes que ajudaram a construir essa história e que seguem vivos nas lembranças de quem compartilhou a caminhada.

Os depoimentos reforçaram que aquela conquista foi coletiva. Histórias de esforço, desafios e superação se misturaram ao orgulho de ter feito parte de um momento que mudou a realidade educacional do município.

Duas décadas depois, o reencontro não é apenas uma celebração. É um testemunho de que a educação, quando construída com união e propósito, ultrapassa distâncias, vence obstáculos e deixa marcas permanentes na história de uma comunidade.