O Comitê de Cultura Acre deu início a uma nova e desafiadora etapa de suas atividades territoriais. Após percorrer oito municípios do Baixo Acre e Purus — incluindo Acrelândia, Bujari, Capixaba, Senador Guiomard, Plácido de Castro, Porto Acre, Manoel Urbano e Sena Madureira — o coletivo agora volta seus esforços para o Vale do Juruá.
Nesta fase, o desafio vai além do diálogo artístico: a logística é protagonista. Para alcançar Marechal Thaumaturgo e Porto Walte, nesta terça e quarta-feira, 10 e 11, a equipe enfrenta as águas do Rio Juruá.
A jornada fluvial simboliza o compromisso do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, do Ministério da Cultura, em alcançar as pontas mais extremas do país.
Marechal Thaumaturgo
Nesta terça-feira, 10, o encontro acontece em Marechal Thaumaturgo. A Roda de Conversa "Autogestão – Rede Viva: Saberes que se conectam nos territórios" reunirá vozes diversas que representam a resistência cultural do alto rio Juruá.
Entre os convidados, destacam-se a parteira indígena Ozita Guilhermina e a artesã Baxyadi Jaminawa, trazendo o conhecimento ancestral para o centro do debate. O diálogo também contará com o músico Francisco Ronei e a liderança comunitária Maria de Nazaré, presidenta da Associação Maria Esperança.

Porto Walter
Na quarta-feira, 11 de março, a equipe desembarca em Porto Walter. O foco será a integração entre a cultura popular e a educação. As participações confirmadas incluem o mestre do movimento junino e dança, Victor, o músico Ály Kamel e a professora e produtora cultural Maria Rosângela.
Para Claudia Toledo, coordenadora geral e metodológica do Comitê de Cultura Acre, a chegada ao Juruá representa um "momento de escutatória" essencial para fortalecer o diálogo com as políticas públicas.
"É um momento que culmina com essas várias ações que vêm para fortalecer o nosso discurso com relação às políticas públicas e também com relação à nossa ação que vai acontecer aqui em Rio Branco e Cruzeiro do Sul", afirma Claudia.
Ela destaca que o trabalho desenvolvido no interior, que já passou pelo Alto Acre, Baixo Acre e Purus — tem sido gratificante e envolvente, funcionando como um "trabalho de formiguinha" para gerar conexões de afeto e reconhecimento humano em um cenário de crescente individualismo.
Planejamento e prorrogação
Além das rodas de conversa, Claudia revelou uma atualização importante no cronograma do Comitê: a prorrogação das atividades. O grupo garantiu um aditivo que estende os trabalhos de maio até dezembro de 2026.
"Eu acredito que é um processo de amadurecimento dos nossos trabalhos", pontua a coordenadora, ressaltando que esse tempo extra permitirá consolidar as tratativas que serão levadas para a Conferência de Cultura, prevista para acontecer possivelmente em abril.
Agenda no Juruá
A agenda no Vale do Juruá segue intensa e diversificada. Após passarem por Marechal Thaumaturgo (10/03) e Porto Walter (11/03), as atividades desembarcam em Cruzeiro do Sul na sexta-feira, 13, com foco na qualificação de portfólios na sede do Centro de Referência em Inovação para Educação (Crie), a partir das 18h.
Na semana seguinte, o município de Mâncio Lima recebe dois dias de programação na Escola Freire de Carvalho: uma Roda de Autogestão na segunda (16/03) e a oficina de portfólios na terça (17/03). O ciclo de rodas de conversa pelo interior encerra-se em Rodrigues Alves, na quarta-feira (18/03), na Escola Cunha Vasconcelos.
O grande encerramento da etapa Juruá ocorre na quinta-feira, 19, no Teatro dos Náuas, em Cruzeiro do Sul. Com formato híbrido, o dia contará com uma palestra sobre Economia Criativa pela manhã e o Fórum das Amazônias durante a tarde e noite, espaço dedicado ao debate profundo sobre as linguagens e identidades culturais da região.
A ação é realizada pelo Comitê de Cultura Acre em parceria com a Associação das Artesãs e Artesãos indígenas do Vale do Juruá, no âmbito do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, do Ministério da Cultura.
