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Avós podem ser presos por pensão alimentícia? Defensor público esclarece tema pouco conhecido no Conversa Franca

Avós podem ser presos por pensão alimentícia? Defensor público esclarece tema pouco conhecido no Conversa Franca

Durante participação no podcast Conversa Franca, o defensor público Celso Araújo trouxe à tona um tema que ainda gera dúvidas e até surpresa entre a população: a possibilidade de avós serem responsabilizados pelo pagamento de pensão alimentícia — e, em alguns casos, até presos pelo não cumprimento da obrigação.

Segundo o defensor, a legislação brasileira prevê que, quando o pai não cumpre com o dever de sustentar o filho — seja por ausência, incapacidade financeira ou até falecimento —, a responsabilidade pode alcançar os avós. “A criança não pode ficar sem os alimentos. Alguém tem que garantir o mínimo necessário para sua sobrevivência”, explicou.

Celso Araújo relatou que já participou de audiências em que avós foram presos por inadimplência. “Já presenciei casos em que o avô foi detido, passou por audiência de custódia e alegava não ter condições. Mas a Justiça entende que a necessidade da criança vem em primeiro lugar”, afirmou.

Complementação ou substituição da pensão

O defensor detalhou que a obrigação dos avós pode ocorrer de duas formas:

* Complementar: quando o pai contribui parcialmente, mas não consegue arcar com o valor total necessário. Exemplo: se a criança precisa de R$ 400 e o pai só pode pagar R$ 200, a mãe pode acionar os avós para complementar os outros R$ 200.
* Integral: quando o pai está ausente, não tem condições ou faleceu, cabendo aos avós assumir o pagamento total.

No entanto, ele ressalta que essa responsabilidade não é automática. “Se o pai falece, por exemplo, a mãe precisa entrar com uma nova ação contra os avós. Eles não participaram do processo anterior e têm direito ao contraditório e à ampla defesa”, pontuou.

Casos no Acre

Celso Araújo também revelou que, no Acre, há registros de avós que chegaram a cumprir pena por não pagar a pensão. “Tem casos de 60 a 90 dias de prisão. É uma realidade dura, mas prevista em lei”, disse.

Ele destacou que muitos desses casos estão ligados à irresponsabilidade dos próprios pais. “A Justiça não quer saber se o pai não quis pagar ou se gastou com outras coisas. A criança precisa comer, vestir, estudar, ter higiene. Isso é básico”, reforçou.

Responsabilidade além do discurso

Em tom direto, o defensor criticou pais que negligenciam suas obrigações. “Tem muita gente que está em festa, em show, em bar, mas na hora de pagar a pensão diz que não tem dinheiro. Colocou filho no mundo, tem que assumir a responsabilidade”, afirmou.