O transporte coletivo de Rio Branco corre o risco de paralisar a partir da próxima segunda-feira, 12. Motoristas de ônibus realizaram, na manhã de sexta-feira, 9, uma paralisação de advertência no Terminal Urbano e alertaram que podem deflagrar greve por tempo indeterminado caso a empresa Ricco Transportes não regularize o pagamento dos salários atrasados.
A mobilização serviu como sinal de alerta à empresa e ao poder público. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Acre (Sinttpac), Antônio Neto, havia um acordo para o pagamento dos vencimentos, o que não ocorreu. “O compromisso não foi cumprido. Os trabalhadores aguardavam o salário, mas a empresa informou que não recebeu o repasse do subsídio da prefeitura”, afirmou.
A ameaça de greve preocupa usuários do transporte coletivo, já que milhares de pessoas dependem diariamente dos ônibus para se deslocar pela cidade. Caso o impasse persista até o fim de semana, a categoria deve cruzar os braços a partir de segunda-feira, afetando linhas em todas as regiões da Capital.
O cenário ganha ainda mais repercussão diante dos valores destinados ao sistema. Em 2025, a Câmara Municipal autorizou um subsídio superior a R$ 168 milhões à Ricco Transportes, o equivalente a cerca de R$ 13 milhões mensais, com o objetivo de manter a tarifa congelada. Mesmo assim, atrasos salariais e reclamações sobre a qualidade do serviço continuam sendo registrados.
Somente em 2024, a empresa recebeu aproximadamente R$ 95 milhões em subsídios públicos, o que intensificou críticas de parlamentares da oposição. O vereador Eber Machado afirma que, apesar dos repasses milionários, o transporte coletivo segue operando de forma precária, tanto em relação à frota quanto à regularidade do serviço.
Outro fator que agrava a crise é a falta de uma licitação definitiva para o transporte coletivo. Desde fevereiro de 2022, a Ricco Transportes atua com contrato emergencial, renovado trimestralmente pela RBTrans. A situação já motivou tentativas de investigação na Câmara Municipal, como o pedido de criação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI), que acabou rejeitado pela base do prefeito Tião Bocalom.
