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Papo de Cafezinho - Por Jairo Carioca

Trutas salmonadas peruanas encontram fórmula de engorda na indústria acreana

Trutas salmonadas peruanas encontram fórmula de engorda na indústria acreana

Esse é aquele papo de cafezinho que rola depois do almoço após uma truta assada acompanhada de arroz e legumes. Deu água na boca, aposto!

Essa é uma receita típica da culinária peruana com espécie salmonada que foi introduzida do Chile no lago de Titicaca. Mais gostoso é saber que esse prato terá um ingrediente acreano que está sendo considerado a outra metade da laranja para um grupo de 900 produtores da região montanhosa de Puno, no Peru.

As trutas criadas em cativeiros no lago Titicaca serão alimentadas a partir da próxima semana, de uma ração produzida em laboratório acreano, pela indústria Nutrack, que amplia a exportação de ração para peixes que antes chegava em Iñapari e agora vai até o sul do Peru.

O Papo de Cafezinho teve acesso a relatórios com detalhes dessa experiência vivida às margens do Lago Titicaca, que abriga uma rara fauna selvagem aquática, um dos maiores lagos da América do Sul e o curso d’água navegável mais alto do mundo.

Criadas em cativeiro, essa espécie membro da família dos salmonídeos é bastante agitada. O biólogo e especialista em psicultura, Cesar Salvador Medrano Moreno, explicou que ao nadar na parte superior das águas, as trutas, ao se alimentarem ficam mais ativas e precisam de mais oxigênio para digerir. Aí mora o segredo da fórmula encontrada para equilibrar o ambiente. As análises foram feitas desde o comportamento dos peixes até a temperatura e o nível de oxigenação da água.

E não para por ai, técnicas de manejo estão sendo adequadas com a descoberta do melhor horário para dar a ração nos viveiros e as quantidades ideais, com desperdício mínimo. Comida em excesso contamina a água, níveis de oxigênio baixos levam a morte das espécies.

O que está por trás de toda essa busca por excelência de manejo?

O exigente mercado asiático que prefere trutas mais gordas criadas a partir de um manejo sustentável, benefícios que vão além da economia, onde, até a segurança dos produtores é beneficiada dada as condições climáticas adversas.

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Não é à toa que os empresários João Paulo Martins e Raiolando Oliveira, estão com um sorriso largo. A nova fórmula enviada a Puno pode expandir ainda mais o horizonte comercial da indústria acreana, uma aposta antiga, de quem já derramou muito suor e foi persistente.

Os empreendedores revelaram histórias tristes de falta de incentivos vividos em governos passados, mas, não autorizaram a produção de conteúdo. “Isso é um passado amargo, superado, graças a Deus”, disse Raiolando ao Papo de Cafezinho.

De fato, o Acre vive uma outra realidade quando o assunto é o setor produtivo. A Nutrak por exemplo, foi quem abriu as portas para exportação ao Peru.

Bons exemplos não faltam. A empresa tem 100% da matéria-prima utilizada na fabricação de ração produzida em suas terras. Hoje são 100 mil sacas de milho e 60 mil sacas de soja produzidas por ano. Na indústria, tudo é automatizado e movido a energia solar.

Outra boa notícia é a necessidade de contratação de mais mão de obra especializada. Com a demanda de exportação, a capacidade ociosa vai diminuir. A empresa vai ampliar em 30% o número de empregos diretos.

Sabe aquela formula que o governador Gladson Cameli sonha? A de geração de emprego e renda.

Ela está presente na indústria que transforma além de matéria-prima, sonhos de milhares de acreanos. São mais de 20 mil empregos diretos gerados pelo setor, o que representa 15% dos empregos formais.

Quero agradecer o cafezinho quente oferecido pelos empresários João Paulo e Raiolando.

O Marley, o Biscoito e o Nick (meus cachorros) adoraram a ração de filhotes que já é exportada para Rondônia, Manaus, Boa Vista e que chegará em breve no estado do Mato Grosso.

Jairo Carioca é jornalista, assessor de imprensa, escritor e colunista. Escreve semanalmente para o NH.