..::data e hora::.. 00:00:00

Papo de Cafezinho - Por Jairo Carioca

O bom Papai Noel! Economia do Acre passa por mudança estrutural com menos dependência do estado na geração de emprego e renda

O bom Papai Noel! Economia do Acre passa por mudança estrutural com menos dependência do estado na geração de emprego e renda

Mais de 50 mil pessoas saíram dos quadros de extrema pobreza e pobreza entre 2022 e 2021. Crescimento das atividades econômicas, novas demandas de serviços, ambiente de negócios favoráveis. Isso merece um papo de cafezinho na ceia do Natal.

É Natal, porém, pouco ou quase não se falou dos 52 mil acreanos que entre 2021 e 2022 conseguiram sair do quadro de extrema pobreza (31 mil pessoas) e da pobreza (21 mil pessoas). E não é falta de conselho, o Papa Francisco, auxiliado pela cúria romana, pediu lembrança aos pobres na celebração do nascimento de Cristo.

O prefeito Tião Bocalom conseguiu imitar até o frio do hemisfério norte na decoração natalina da Praça da Revolução, em Rio Branco, mas, teve que construir as pressas – após critica do Padre Máximo – o presépio que representa a cena do nascimento do menino Jesus, sob a alegação de promover um “paganismo exagerado”.

Mas, o que esse papo com a figura patética do Papai Noel tem a ver com a economia?

É que na prática, pela primeira vez no pós-Covid-19, o Acre diminui a conta de quem vive impossibilitado de fazer uma ceia simples no Natal. Das 126 mil pessoas que viviam com renda próxima de R$ 168 por mês, 31 mil saíram dessa faixa. E das 460 mil pessoas que viviam com R$ 486 por mês, 21 mil migraram para uma situação social melhor.

O IBGE mostrou que o trabalho impacta para diminuir a pobreza e os programas sociais para redução da extrema pobreza.

O que comemorar neste Natal?

Ora, a situação miserável é uma estabilidade inaceitável, a extrema pobreza e a pobreza são quadros históricos, vulnerabilidade que se arrasta no entra e sai de governos, independente de suas cores partidárias.

Estudos mostram que, vistos pela ótica da renda familiar, a fome não é um fenômeno solucionável facilmente e a curto prazo. São muitas as variáveis para que o indivíduo possa sair da extrema pobreza ou da pobreza, entre elas, a escolaridade e o emprego formal.

Bem, o governador Gladson Cameli vem fazendo o seu papel. E quem afirma isso são instituições responsáveis, como o IBGE.

Vejamos:
O Acre fechou o terceiro trimestre de 2023, com a menor taxa de desemprego do país. O índice registrado no período foi de 6,2%.

Analisando os números do Produto Interno Bruto (PIB) que colocam o estado com o quinto maior crescimento em 2021, sétimo estado brasileiro nos últimos 20 anos com melhor desempenho de suas riquezas, podemos afirmar o crescimento do setor produtivo e a diminuição da dependência do estado na geração de emprego e renda. O que é uma excelente notícia.

Tem a persistência do empreendedorismo, tem os braços do governo e um conjunto de forças voltadas para a diminuição das desigualdades sociais. O Acre injetou R$ 9,5 milhões na economia através do Programa Auxílio do Bem, beneficiando milhares de famílias que não estavam na lista dos bolsas família da vida.

Em 2023, o governo federal transferiu R$ 1,02 bilhão em Bolsa Família para o Acre; R$ 332,45 milhões em Benefício de Prestação Continuada (BPC), R$ 28,81 milhões em Auxílio Gás; Os impactos dessas transferências de rendas na extrema pobreza são maiores. Sem esses recursos o aumento da miséria seria bem maior.

Voltando para o verdadeiro significado do Natal, dou razão ao Padre Máximo em cobrar do poder público, que investe pesado em decorações natalinas, um pouco de sentimento, sensibilidade, afinal, esse momento lembra o testemunho de vida daquela criança pobre e sem teto: o menino Jesus, revolucionário para toda humanidade desde o seu nascimento.

A cúria romana acerta ao aconselhar o Papa Francisco para pedir lembrança aos mais pobres no Natal. Longe dos shopping centers da vida, esse espírito está presente nos bairros mais periféricos, nas moradias as margens dos rios e igarapés de milhares de acreanos que ainda não têm saneamento básico, sujeitas as inundações e repiquetes. Das crianças e idosos que vivem em orfanatos e asilos, distantes do eixo familiar.

O Natal não precisa ser uma feira caótica destinada ao cumprimento de conveniências sociais com Papai Noel vestindo vermelho ou azul. Esse momento precisa inspirar gente bem intencionada que oferta amor e carinho, gestores compromissados com a melhoria da qualidade de vida.

Créditos ao economista Orlando Sabino, que em sua coluna semanal, detalhou a diminuição da pobreza no Acre.

Um feliz Natal com um bom papo de cafezinho.

Jairo Carioca é jornalista, assessor de imprensa e escritor. Colabora com o NH.