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Baixaria - com Cesário Braga

Trabalhar seis dias seguidos não é sinônimo de produtividade - Fim da escala 6x1

Trabalhar seis dias seguidos não é sinônimo de produtividade - Fim da escala 6x1

No Brasil, ainda persiste a ideia de que jornadas longas são sinônimo de produtividade. Trabalhar mais horas seria, supostamente, trabalhar melhor. Essa lógica, no entanto, não encontra respaldo nem na história nem na economia. Ao longo do tempo, sempre que direitos trabalhistas foram ampliados, surgiram previsões de que isso geraria crise, queda na produção e desemprego. Os fatos mostram exatamente o contrário.

Foi no bojo do Estado de Bem-Estar Social, após a crise de 1929, que diversos países passaram a compreender o trabalho como parte central do desenvolvimento econômico. A proteção ao trabalhador deixou de ser vista como gasto e passou a ser tratada como investimento. Garantir renda, descanso e condições dignas significava fortalecer o consumo, dinamizar o mercado interno e sustentar o crescimento.

No Brasil, esse movimento ganhou forma durante o governo de Getúlio Vargas. A criação do Ministério do Trabalho, a instituição da jornada de oito horas, as férias remuneradas, o salário mínimo e, posteriormente, a Consolidação das Leis do Trabalho ajudaram a estruturar relações mais estáveis e a impulsionar a industrialização. Longe de travar a economia, esses direitos contribuíram para organizar o país e ampliar oportunidades.

O debate atual sobre o fim da escala 6×1 repete esse mesmo dilema histórico. A manutenção de jornadas excessivas não aumenta a produtividade; ao contrário, gera cansaço, erros, afastamentos por doença e alta rotatividade. Tudo isso tem custo para as empresas e para a própria economia. Produtividade está ligada à qualidade do tempo trabalhado, não à sua extensão.

Experiências mostram que rotinas mais equilibradas melhoram o desempenho, reduzem faltas e preservam trabalhadores qualificados. Além disso, quando as pessoas têm mais tempo e renda, consomem mais, estudam mais e movimentam o comércio local. O dinheiro circula, os negócios crescem e o desenvolvimento se torna mais consistente.

Por isso, a discussão sobre a jornada de trabalho vai além de uma pauta trabalhista. Trata-se de decidir que modelo de país queremos construir. Um modelo baseado no desgaste permanente da força de trabalho ou um projeto que combine crescimento e eficiência econômica com dignidade humana.