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Baixaria - com Cesário Braga

Entre partir e permanecer: o desafio do futuro econômico do Acre

Entre partir e permanecer: o desafio do futuro econômico do Acre

O Acre tem vivido, nos últimos anos, um processo silencioso, porém significativo: a saída constante do seu povo em busca de oportunidades fora do estado. Dados do Censo 2022 indicam que aproximadamente 34 mil acreanos deixaram o estado entre 2017 e 2022, e esse número segue crescendo. Todo mundo conhece alguém ou tem um familiar que saiu do Acre atrás de trabalho.

Esse movimento revela mais do que deslocamento geográfico. Ele expressa a dificuldade de inserção produtiva, a limitação do mercado de trabalho e a sensação, especialmente entre os jovens, de que prosperar exige sair do estado.

Um aspecto importante é que essa migração nem sempre ocorre em direção a empregos qualificados. Muitos acreanos partem motivados pela necessidade imediata de renda e, em boa parte dos casos, acabam inseridos em atividades informais ou de baixa remuneração.

Apesar disso, o desejo predominante não é ir embora. O jovem acreano quer permanecer, estudar, trabalhar e empreender sem romper seus vínculos familiares e culturais. Quer construir patrimônio, autonomia e dignidade dentro do próprio estado. Quando essa possibilidade não existe, sair passa a parecer a única alternativa.

Diante desse cenário gravíssimo, o fortalecimento da agricultura familiar e das cadeias produtivas rurais surge como uma estratégia concreta de desenvolvimento e permanência. A agricultura familiar possui uma capacidade singular de gerar renda distribuída, dinamizar economias locais e criar oportunidades em municípios onde o emprego formal é escasso. Quando associada à assistência técnica, ao crédito, à organização produtiva e ao acesso a mercados, deixa de ser atividade de subsistência e passa a representar empreendedorismo, inovação e mobilidade econômica.

Além disso, investir na produção rural ativa um efeito multiplicador econômico: movimenta o comércio, estimula serviços e amplia a circulação de renda.

O desafio do Acre, portanto, não é impedir que as pessoas saiam, mas criar condições para que permanecer seja uma escolha viável. O desenvolvimento regional passa pela capacidade de transformar vocação produtiva em oportunidade econômica concreta, permitindo que a juventude continue sonhando e prosperando sem precisar abandonar sua terra.

Nesse contexto, investir na agricultura familiar não representa apenas uma política social, mas uma estratégia de futuro — capaz de gerar renda e garantir que o crescimento econômico esteja alinhado com a identidade, a cultura e as potencialidades do próprio estado.