..::data e hora::.. 00:00:00

Baixaria - com Cesário Braga

Amazônia: o centro da disputa pelo desenvolvimento do Brasil

Amazônia: o centro da disputa pelo desenvolvimento do Brasil

A Amazônia não pode continuar sendo tratada como um problema ambiental a ser administrado. Ela é, na verdade, o principal ativo estratégico do Brasil para o século XXI. É ali que se define nossa capacidade de crescer, disputar mercados, gerar riqueza e afirmar a soberania nacional.

Do ponto de vista geopolítico, a região ocupa uma posição privilegiada. Sua proximidade com os mercados asiáticos — responsáveis por cerca de 35% a 40% do comércio exterior brasileiro — e sua fronteira com sete países sul-americanos colocam a Amazônia no centro das possibilidades de conexão do Brasil com o mundo. Mesmo sem acesso direto ao Pacífico, é a partir dela que se abrem caminhos para novas rotas comerciais e integração econômica.

Mas o que está em jogo vai muito além da localização. A Amazônia concentra algumas das maiores riquezas estratégicas do planeta: biodiversidade, água, terras agricultáveis, minerais críticos e terras raras, além de recursos energéticos como o petróleo da margem equatorial. Ignorar esse potencial é abrir mão de desenvolvimento e reduzir o papel do Brasil na economia global.

O desafio não é escolher entre preservar ou desenvolver. O desafio é ter um projeto nacional capaz de transformar essas riquezas em produção, investimento, tecnologia e renda. Sem isso, a Amazônia seguirá sendo vista de fora como reserva de recursos e, internamente, como território de baixa integração econômica.

Isso exige decisão política. Exige ampliar investimentos em infraestrutura, integrar logisticamente a região, fortalecer a base produtiva e agregar valor àquilo que já é produzido. Exige, sobretudo, enfrentar as desigualdades históricas que impedem a população amazônica de participar plenamente do desenvolvimento.

A diversidade social da Amazônia não é obstáculo — é parte da solução. Povos indígenas, comunidades tradicionais e populações urbanas carregam conhecimento, capacidade produtiva e potencial de inovação que precisam ser incorporados a uma estratégia econômica consistente.

Da mesma forma, a inserção da Amazônia na dinâmica regional da Pan-Amazônia não pode ser tratada como abstração diplomática. Trata-se de construir, na prática, corredores logísticos, cadeias produtivas integradas e novas formas de inserção internacional que ampliem o protagonismo do Brasil na América do Sul.

A questão é simples: ou o Brasil assume a Amazônia como eixo do seu desenvolvimento, ou continuará assistindo outros países disputarem as riquezas e as oportunidades do século XXI. Não há soberania sem desenvolvimento. E não há desenvolvimento nacional sem a Amazônia no centro da estratégia.