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ARTIGOS

Quando o marketing governa: a política do “pão e circo” que ainda seduz a "grande massa" 

Quando o marketing governa: a política do “pão e circo” que ainda seduz a "grande massa" 

Na política, a imagem muitas vezes vale mais do que o trabalho! Em muitos casos, a propaganda grita tão alto que acaba abafando a falta de gestão. Quando a figura de um político é construída com base em marketing, discursos inflamados e presença constante nas redes sociais (mas que não se sustenta nos resultados da administração pública), o cenário é preocupante. Nesse momento, a política deixa de ser instrumento de transformação e passa a ser apenas espetáculo.

Não é exagero afirmar que, em muitos momentos da história recente do Acre, a política tem flertado perigosamente com a lógica do “pão e circo”. Não se trata apenas de eventos, shows de artistas nacionais, inaugurações simbólicas ou anúncios grandiosos. O problema é quando essas ações servem para encobrir a ausência de políticas públicas efetivas — aquelas que realmente impactam a vida da população.

Constrói-se a figura do gestor carismático, do político popular, do líder que está sempre presente. Mas presença não é sinônimo de eficiência administrativa. Popularidade não substitui planejamento. E carisma jamais será capaz de tapar buracos estruturais na saúde, na educação, na segurança, na mobilidade ou na geração de empregos.

Quando a imagem se distancia da gestão, nasce um fenômeno perigoso: o político passa a governar para manter a própria narrativa, e não para resolver os problemas reais da sociedade. Nesse ambiente, críticas são tratadas como ataques, questionamentos viram “inveja” ou “perseguição”, e o debate público perde qualidade.

No Acre, esse modelo encontra terreno fértil. Uma sociedade historicamente marcada por disputas políticas intensas, mas também por ciclos de poder bem definidos, acaba assistindo repetidas vezes à mesma estratégia: constrói-se um personagem político forte, enquanto a discussão sobre resultados concretos fica em segundo plano.

E é justamente aí que mora o risco. Quando a política vira espetáculo, o eleitor passa a consumir imagem, não gestão. Aplaude-se o discurso, compartilha-se o vídeo, vibra-se com a narrativa — enquanto os problemas estruturais permanecem praticamente intocados.

Ainda assim, há um fio de esperança. A história mostra que nenhum espetáculo político dura para sempre quando confrontado com a realidade. Mais cedo ou mais tarde, a cobrança chega. E quando a sociedade começa a exigir resultados, a política precisa abandonar o palco e voltar para o gabinete, onde as decisões realmente importam.

Talvez não seja utópico imaginar um futuro em que o eleitor acreano passe a separar, com mais rigor, a propaganda da gestão. Um tempo em que a construção de imagem não seja suficiente para sustentar carreiras políticas.

Quem sabe um dia se possa dizer, sem ironia e sem resignação: a sabedoria do povo daqui será o medo dos homens de lá. Porque quando o cidadão deixa de se encantar com o espetáculo e passa a exigir resultados, a política finalmente volta a cumprir o seu verdadeiro papel.