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ARTIGOS

O fim da escala 6x1 não é ameaça, é dignidade; atenção para o que te falam!

O fim da escala 6x1 não é ameaça, é dignidade; atenção para o que te falam!

Nos últimos dias, o debate sobre o fim da jornada de trabalho na escala 6x1 ganhou novos contornos no Acre. Entre outras manifestações, acompanhamos as declarações da presidência da Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola do Acre (Acisa), que expressou o temor de parte do setor empresarial em relação à mudança. Como bem reagiu e pontuou nossa companheira Neide Lopes, Secretária de Mulheres do PT no Acre, parece que sempre que se propõe reduzir um grau de exploração, a elite entra em pânico.

O argumento central levantado pela associação patronal é conhecido: a ideia de que reduzir os dias de trabalho sem mexer nos salários forçaria as empresas a repassarem custos aos consumidores ou a substituírem pessoas por máquinas, gerando desemprego.

É preciso, antes de tudo, trazer a realidade para o centro da mesa. Toda vez que o Brasil se preparou para dar um passo civilizatório nas relações de trabalho, o fantasma do colapso econômico foi convocado — seja na criação do 13º salário, na limitação da jornada diária ou na garantia de direitos às trabalhadoras domésticas. A história, no entanto, sempre provou o contrário: economias fortes se constroem com trabalhadores saudáveis, valorizados e com tempo para consumir, viver e se qualificar.

A própria representação comercial reconheceu, em suas falas, que o modelo atual adoece as pessoas. Como lembrou Neide Lopes, a escala 6x1 é a normalização da exaustão extrema. É o trabalhador e a trabalhadora do comércio acreano que saem de casa com os filhos dormindo e retornam quando eles já estão na cama, tendo apenas um dia na semana para resolver burocracias, cuidar da casa e tentar, se ainda houver algum tempo, descansar. Isso não é viver; é sobreviver.

Para o Partido dos Trabalhadores, essa não é apenas uma pauta econômica. É uma bandeira central de dignidade humana. Nosso entendimento é claro: a modernização das relações de trabalho não pode significar a precarização da vida. Precisamos de um modelo que limite a jornada e garanta, no mínimo, dois dias de descanso semanal, sem qualquer redução salarial.

É justamente por compreender a urgência dessa ferida social que o governo do presidente Lula assumiu a liderança desse processo, colocando o fim da escala 6x1 como prioridade no Congresso Nacional em 2026. O Ministério do Trabalho, sob a condução de Luiz Marinho, não está apenas fazendo discursos; está construindo as bases técnicas necessárias para que essa mudança avance com responsabilidade.

Para tranquilizar os setores que temem impactos abruptos, o governo já discute regras de transição. Ninguém pretende sufocar os pequenos negócios, que são parte essencial da nossa economia local. O objetivo é estabelecer prazos de adaptação justos, garantindo um pouso suave para o comércio e os serviços, mas com um destino inegociável: o fim da exploração desmedida do tempo do trabalhador.

A vida precisa ir além do balcão, da máquina e do ponto batido. Ter tempo para ver os filhos crescerem, usufruir o lazer, acessar cultura e descansar não é luxo — é um direito humano fundamental.

Faço aqui um chamado à sociedade acreana: acompanhem de perto este debate. Ele diz respeito ao tempo que teremos para as nossas próprias vidas nos próximos anos. E, mais importante, cobrem nossos deputados federais e senadores. A bancada do Acre em Brasília precisa sentir que o povo do nosso estado exige essa mudança. O fim da escala 6x1 será votado — e o lado em que cada parlamentar escolher ficar entrará para a história. Nós já escolhemos o nosso: o lado da vida.

*André Kamai é presidente do Partido dos Trabalhadores do Acre e vereador de Rio Branco.