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ARTIGOS

Mulheres protagonistas: por que incomodam tanto?

Mulheres protagonistas: por que incomodam tanto?

Hoje, primeiro dia do mês de março, faço um convite a reflexão sobre os julgamentos realizados às mulheres quando ocupam posições de liderança ou destaque. 

Recentemente, fomos surpreendidos com a fala um jogador de futebol, ao afirmar que “não pode uma mulher apitar um jogo desse”.  A frase não questiona uma decisão técnica; ela nega a legitimidade da mulher pelo simples fato de ser mulher.

Comportamentos como esse demonstram que os critérios de julgamento utilizados para as mulheres são distintos daqueles aplicados aos homens. A forma como falam, escrevem, como se comportam diante de determinadas situações podem ser classificadas como histéricas, destemperadas, passionais e incompetentes. Determinadas atitudes são questionadas, ao passo que se fossem realizadas por homens não haveriam dúvidas quanto a concordância. O conteúdo da ação é o mesmo; o julgamento, não.

Outra situação mais trágica ainda foi o assassinato de duas servidoras do Centro Federal do Rio de Janeiro pelo simples fato do acusado se recusar a aceitar a chefia de mulheres.

Essa conduta de tolerar a presença feminina desde que silenciosa, obediente e passiva; de aceitar a mulher desde que ela não exerça o poder com autonomia, não será admitida.

As mulheres não chegaram aos espaços de liderança por concessão, mas sim por competência, preparo e coragem. E não recuarão diante de tentativas de deslegitimação. A conduta machista revela menos sobre a mulher e mais sobre o medo de quem se sente ameaçado por sua liderança.

Como mulher, advogada, professora e vice-presidente da OAB/AC desenvolvo, ao lado de outras valorosas mulheres, ações que buscam avançar no fortalecimento de políticas institucionais, que proporcionam posicionamento de destaque e liderança feminina nos espaços profissionais e institucionais.

Este artigo dialoga, intencionalmente, com quem ainda insiste em medir mulheres por padrões que não aplicam a si mesmos. E dialoga, sobretudo, com as mulheres que já se sentiram diminuídas, questionadas ou solitárias no exercício de suas funções ou liderança, como a árbitra de futebol Daiane Muniz. Vocês não estão sozinhas. E, definitivamente, vocês não precisam pedir licença para ocupar o lugar que é de vocês por direito.

Que o mês da mulher, além da celebração, seja resistência e enfrentamento, isso porque liderança não tem gênero — mas o machismo, infelizmente, ainda tem voz. E enquanto tiver, terá também a nossa resposta com voz altiva, firme e resiliente.

Thaís Moura
Advogada
Vice-presidente da OAB/AC
Docente de Direito do IFAC