Não se comemora o Dia do Jornalista, vive-se. Vive-se a pauta que chega sem aviso, o "chá de cadeira" nos corredores do poder, a pressa do fechamento da matéria, o risco do erro e o peso da palavra publicada. Vive-se o ofício no limite entre o registro e a interpretação, entre o fato bruto e a responsabilidade de narrá-lo. Neste 7 de abril, mais do que celebração, há o reconhecimento de uma rotina que não conhece feriado.
No Acre, essa experiência ganha contornos próprios. O jornalismo local nasceu junto à organização política e social da região, ainda no início do século XX, quando publicações como O Varadouro, O Rio Branco e Folha do Acre começaram a circular após a Revolução Acreana. Desde então, contar histórias por aqui sempre foi mais do que relatar acontecimentos: foi ajudar a construir identidade em uma terra marcada por disputas, distâncias e silêncios.
Há, no jornalismo acreano, uma dimensão quase artesanal. Repórteres que atravessam ramais, traduzem a linguagem das comunidades e enfrentam estruturas precárias e, ainda assim, insistem em apurar, ouvir e checar. Em tempos de velocidade digital e desinformação, esse fazer ganha ainda mais relevância, mas também mais desafios.
O saudoso escritor e jornalista colombiano Gabriel García Márquez costumava dizer que o jornalismo é a melhor profissão do mundo, mas não por sua leveza, e sim por sua intensidade. Para ele, trata-se de uma paixão insaciável, uma espécie de servidão voluntária que exige entrega total. Cada notícia se encerra em si mesma, mas obriga o profissional a recomeçar imediatamente, como um ciclo contínuo de produção e responsabilidade.
A ética, como defendia García Márquez, não é um adereço; é o zumbido constante que acompanha cada decisão. Mas há também o fator humano: o jornalismo não se sustenta apenas na técnica, mas na convivência.
Entre gerações, redações e experiências, que os mais novos aprendam com os mais antigos não apenas as ferramentas, mas o sentido do ofício. E que os veteranos reconheçam nos mais jovens a continuidade necessária, sem vaidades que distorçam o propósito maior.
Porque, no fim, o jornalismo não pertence a quem o exerce por ocasião, mas a quem o vive por vocação. E, no Acre, entre limitações e resistências, essa vocação segue de pé todos os dias, mesmo quando ninguém está olhando. E sim, a PEC do diploma.
