Rio Branco, AC,11 de junho de 2026 23:54
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Gladson Cameli: “Quem pode gostar ou não do meu Governo é o povo e não partidos políticos”

Na primeira coluna Bate-Papo optei por conversar com o governador Gladson Cameli (PP). Natural a escolha por se tratar de um jovem político que despertou a esperança de milhares de acreanos ansiosos por mudanças. Com pouco mais de um mês no Palácio Rio Branco, Gladson, já recebeu contestações relativas às nomeações e aos problemas herdados da gestão anterior que ainda não foram resolvidos.

Nesse Bate-Papo que aconteceu às margens do Rio Juruá, a bordo do Navio Hospital Montenegro, construído pelo ex-governador Orleir Cameli, tio do atual mandatário do Estado, em Cruzeiro do Sul, assuntos essenciais foram tratados com a imprensa. Desde a situação da saúde pública, uma das questões mais delicadas do momento, até a articulação política com a escalação ainda não definida totalmente dos nomes que auxiliarão o novo governador.

Mas em off Gladson me disse que o tempo para os secretários apresentarem resultados está se esgotando. E garantiu que se for preciso quando chegar a cem dias do seu Governo não terá o menor pudor em exonerar quem não está produzindo a contento e chamar novos nomes para uma espécie de reforma do primeiro escalão. O governador tem se ressentido de alguns secretários que ao invés de apresentarem soluções aos problemas desfiam rosários de reclamações. “Se estou dando autonomia para cada pasta quero que resolvam as questões usando a criatividade e não fiquem só se lamentando pelos problemas. Confesso que o ‘abacaxi’ que eu encontrei deixado pela gestão anterior é mil vezes maior do que eu imaginava. Mas temos que encontrar saídas e dar respostas positivas para a nossa população. O povo não quer mais esperar e vou cobrar dos nossos gestores a eficiência e os resultados,” disse ele.

Um outro assunto tratado com veemência por Gladson foi a questão política. Ele afirmou que não irá governar para partidos, mas para a população. Ironizou o descontentamento de alguns aliados com a possível nomeação do ex-presidente da ALEAC, Ney Amorim, para compor a sua equipe política. Muitas reclamações procedem do fato de Ney ter sido do PT.  “Quem pode gostar ou não do meu Governo é o povo. Sou o governador e vou chamar quem eu achar importante para me ajudar na tarefa de governar o Acre.”

Acompanhe por tópicos alguns assuntos tratados pela coluna com Gladson Cameli:

Missão Humanitária e Saúde Pública

“A Marinha está levando saúde para os ribeirinhos. O navio Doutor Montenegro passou mais de 15 dias viajando de Manaus para Cruzeiro do Sul. O Estado está contribuindo com esse trabalho que meu tio Orleir Cameli iniciou e os demais governadores continuaram. Como gestor quero construir novas pontes e fazer parcerias para atender a população mais carente.”

Máquina em funcionamento

“Podemos considerar que os trabalhos governamentais começaram efetivamente nesta semana com o funcionamento pleno dos poderes Judiciário e Legislativo. Só agora que o Brasil vai começar a funcionar pra valer com as gestões eleitas pelos nosso povo.”

Orçamento, Ação e Cobrança

“Chamei o meu primeiro escalão e vamos abrir os orçamentos para todas as secretarias. O prazo de cem dias que dei para o secretariado apresentar resultados está vencendo. O Estado precisa andar e estou dando todas as condições para que cada um com suas equipes mostrem as suas capacidades. Fiz o enxugamento da máquina estatal para que possamos pagar as dividas e fazer os repasses necessários. No Juruá, essa semana, as Irmãs que administram o Hospital Regional estarão recebendo o repasse mensal do Governo para melhorar o atendimento. Agora, isso não só na questão da saúde, mas também nas áreas de educação e segurança pública quero resultados. Em algumas pastas ainda temos problemas de falta de funcionários então mandei contratar e resolver.”

Tratamento Fora do Domicilio (TFD)

A nossa primeira meta é regionalizar a saúde para que possamos diminuir o nosso TFD. Claro que temos casos excepcionais que precisarão de atendimento fora do Estado. Mas a nossa tendência é diminuir essa demanda. Um fretamento de avião de Cruzeiro do Sul para Rio Branco para levar um paciente o Estado estará pagando quase R$ 30 mil. É preferível contratar médicos especialistas nas nossas regionais. Assim vamos economizar e oferecer um atendimento melhor à nossa população. Também estamos requisitando uma aeronave da Polícia Rodoviária Federal para atendermos no transporte do TFD. É um Sênica e já temos o aval PRF para que possamos colocar o avião em operação sem custos para o Acre. Vamos pagar só a manutenção obviamente.”

Concursados das Polícias Civil e Militar

“Os aprovados no concurso serão chamados com toda a certeza. Eles fizeram uma manifestação em frente a Casa Azul e convidei todos para o meu Gabinete. Eles até se surpreenderam. Expliquei a situação. A partir do momento que o Governo cortou 1.200 cargos comissionados estaremos economizando mais de R$ 100 milhões anuais. Com isso, vamos convocar, não só os da Polícias Civil e Militar, mas todos que fizeram concursos públicos no nosso Estado. O que mais me chamou a atenção foi olhar os semblantes daqueles jovens. Pessoas que lutaram, estudaram, passaram nos concursos e estão esperando por dias melhores. E cabe a mim dar uma resposta. Já determinei à minha equipe econômica para saber qual o impacto da contratação dos concursados terá. Porque se for necessário acabar com 100% dos cargos comissionados vou fazer isso e chamar quem fez concurso público. Quero dar condições para quem quer realmente trabalhar.”

Resistência ao nome de Ney Amorim

“Parece que os problemas do Estado são as nomeações. Eu não estou preocupado com quem está achando bom ou ruim, o governador sou eu. Vou decidir quem vai me ajudar a governar e colocar o barco para andar. O Vagner Sales é o nosso articulador político e vai precisar de pessoas que o ajudem. O Ney já se colocou à disposição, mas não tem uma data especifica para a sua nomeação. Mas o ex-presidente da ALEAC é meu amigo e me ajudou a ser governador. Também colaborou na transição e na aprovação da Reforma Administrativa, é um político que ganhou todas as eleições dentro da ALEAC. É muito bem articulado. E eu não disse que seria o governador de todos? Isso é uma prova do que estou fazendo. Quem pode ter ou não raiva do meu Governo é o povo. Não vou governar pra partidos, mas para a população”.